Eduardo Cunha faz defesa enfática da aprovação do ‘ajuste fiscal’ de Dilma
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01:07
Josias de Sousa – Folha S. Paulo
Tratado por Dilma Rousseff como gênio do mal, o deputado
Eduardo Cunha, presidente da Câmara, surpreendeu as outras 21 pessoas que
participaram do jantar oferecido na noite passada pelo vice-presidente Michel
Temer aos ministros que integram a equipe econômica. Cunha comportou-se como um
governista de mostruário.
Guiados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, os
senadores presentes ao repasto dedicaram o grosso de suas intervenções a
criticar a ruína da articulação política do governo e a alfinetar o ministro
Aloizio Mercadnate (Casa Civil). Na sua vez de falar, Cunha disse concordar com
os correligionários. Mas afirmou que não é hora de o PMDB faltar ao país. E fez
uma defesa enfática da aprovação do pacote fiscal de Dilma no Congresso.
Escorou-se numa avaliação técnica, não política. Disse que,
nessa matéria, um tropeço do governo no Congresso aprofundaria a crise de
desconfiança dos investidores em relação ao Brasil. E deixaria o país a um
passo de ser rebaixado pelas agências de risco, perdendo o grau de
investimento.
Nessa hipótese, disse o deputado, sobreviria um cenário
apocalíptico: explosão do dólar, deterioração da balança comercial, queda nas
bolsas, descontrole inflacionário, fuga de investidores, elevação do
desemprego, o diabo. Temos que ter responsabilidade nesse momento, afirmou esse
surpreendente Eduardo Cunha.
Temos que votar os ajustes, ele acrescentou. É fundamental
para o país, prosseguiu. Não podemos abrir mão de ter as contas sob controle,
repisou. Mais cedo, Cunha almoçara com o ministro Aloizio Mercadante (Casa
Civil), na residência oficial da presidência da Câmara. Nas pegadas desse
encontro, vieram à luz informações sobre os planos do governo de entregar
cargos de segundo escalão ao PMDB.
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