Atritado com Dilma e PT, o PMDB fará Congresso partidário no mês de agosto
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02:08
Às voltas com a pior fase do seu
relacionamento com Dilma Rousseff e com o PT, o PMDB organiza um Congresso
partidário. Reunirá em Brasília, provavelmente no mês de agosto, dirigentes e
militantes do país inteiro. O pretexto inicial era a necessidade de debater a
proposta de reforma política elaborada pelo partido. Mas a conjuntura conspira
a favor da ampliação da pauta. “O partido está em ebulição, querendo um canal
para se expressar”, diz Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e
ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal na primeira gestão de Dilma Rousseff.
“Um Congresso como esse serve
para dar voz a quem faz o partido funcionar lá na ponta”, prosseguiu Geddel.
“Converso com muita gente. E a impressão geral é de perplexidade com a falta de
rumo do governo. As pessoas vão trazer para o encontro as impressões que
recolhem nas ruas. Você pode imaginar no que vai dar. Estamos sem chefe de
Estado. A presidente da República não consegue exercer suas prerrogativas
constitucionais. Demora uma eternidade até para indicar um ministro do STF e os
dirigentes de agências reguladoras. A inoperância já afeta o funcionamento do
Estado.''
O encontro do PMDB ocorrerá nas
pegadas de um Congresso do PT, programado para junho. Sócios majoritários do
empreendimento governista, os dois partidos vivem às turras. Em privado, dirigentes
do PT se queixam das “armadilhas” colocadas no caminho do governo pelos
peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara e do
Senado. Sobretudo depois que o STF abriu inquérito contra ambos, para apurar se
estão envolvidos no escândalo da Petrobras.
Amigo do vice-presidente Michel
Temer e interlocutor frequente de Cunha e Renan, Geddel atribui a Dilma a
deterioração do relacionamento. Ele mencionou dois episódios que acabam de
desaguar em crises.
Um deles envolve a logomarca PL,
partido que o ministro Gilberto Kassab (Cidades) tenta recriar, para atrair
quadros do PMDB e de outras legendas. Aprovou-se no Congresso uma lei
anti-Kassab, com regras que inibem a criação e a fusão de partidos. Mas Dilma
demorou a sancionar a peça. Com isso, deu tempo para que os operadores de
Kassab protocolassem no TSE o pedido de recriação do PL.
“Isso é muito grave”, queixou-se
Geddel. “É quebra de confiança. Depois reclamam desse sentimento de aversão que
cresce dentro do PMDB. Estão todos muito irritados”, acrescentou, ecoando o
próprio Eduardo Cunha, que dissera mais cedo: “Com certeza absoluta isso [a
recriação do PL] é um projeto de enfraquecimento do PMDB. Vamos combater de
todas as formas, na Justiça, na política, de todas as maneiras''.
O outro episódio citado por
Geddel refere-se à tentativa do governo de levar ao freezer a regulamentação da
lei que trocou o indexador das dívidas dos Estados e municípios. A mudança de
índice fora aprovada no ano eleitoral de 2014, sob aplausos de Dilma, que
sancionou a novidade em novembro. Súbito, na virada de um mandato para o outro,
o governo passou a se fingir de morto, empurrando com a barriga a implementação
da regra que favorece governadores e prefeitos.
“Isso é um passa-moleque sem
precedentes”, ralhou Geddel. “Se a presidente achava que não poderia cumprir os
compromissos que assumiu tinha que explicar suas razões às claras. Não dá para
fazer esse jogo de empurrar com a barriga. Isso representa o que eu chamo de
molecagem. A presidente promove um amolecamento das relações políticas. O que
leva o PMDB a ficar cada vez mais divergente.”
Fonte: Folha S. Paulo – Josias de
Sousa
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