CPI do SwissLeaks quebrará sigilo de todos que já tiveram contas reveladas
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Unknown
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21:55
O primeiro requerimento de quebra
de sigilo da CPI do SwissLeaks será para saber se todos os correntistas já
conhecidos do HSBC na Suíça de fato declararam à Receita Federal o dinheiro
depositado no exterior.
“Para a CPI é muito fácil fazer
uma lista de todos os nomes e contas bancárias que o UOL e o Globo já
publicaram, enviar tudo para a Receita Federal e requerer a quebra do sigilo
fiscal. Vamos pedir que nos digam quem dessas pessoas declarou Imposto de Renda
e incluiu nas suas declarações de bens as contas no exterior, na Suíça.”, diz
Randolfe Rodrigues, senador pelo PSOL do Amapá e autor do requerimento para
instalar a investigação.
Há apenas um obstáculo à frente
de Randolfe. É necessário que todos os partidos indiquem os nomes para compor a
CPI. No momento, falta apenas a indicação do PMDB.
“Espero que o líder do partido no
Senado, Eunício Oliveira, indique os nomes já no começo da semana”, diz
Randolfe. Mas existe também a hipótese de a investigação começar a funcionar
mesmo sem os nomes peemedebistas, pois já haveria quórum suficiente. Essa
interpretação depende da direção do Senado.
Outro objetivo de Randolfe é
investigar as brechas do sistema financeiro que permitem dar “guarida a quem
comete crimes ou pretende sonegar impostos”.
“O primeiro ato da CPI será
convocar todos os órgãos responsáveis por fiscalizar os bancos e os fluxos financeiros.
(…) Todos terão de explicar muito bem como é possível ter um sistema tão poroso
que permite evasão de divisas e sonegação de impostos como parece ter sido o
caso que agora está sendo revelado por essas reportagens do SwissLeaks”.
A seguir, trechos da entrevista
com o senador Randolfe Rodrigues:
UOL – Vai ser possível instalar a
CPI do SwissLeaks-HSBC na semana que vem?
Randolfe Rodrigues – O único
partido que ainda não indicou nomes para compor a comissão foi o PMDB. Espero
que o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira, indique os nomes já no
começo da semana. Mas quero averiguar também se seria possível, com os nomes
que já foram indicados pelos demais partidos, se já haveria quórum o suficiente
para que a CPI fizesse a sua primeira sessão.
UOL – Isso é possível? Começar
sem o PMDB?
Randolfe – Creio que seja, mas
precisamos aguardar o início da semana para fazer uma consulta formal à Mesa
Diretora do Senado. O que eu prefiro é que o PMDB ajude e esteja junto nessa
que será a mais importante de todas as nossas investigações.
UOL – Por que será a mais
importante investigação?
Randolfe – Muito simples. Essas
contas secretas no HSBC reúnem personagens de todos os escândalos recentes da
história do país, dos últimos 20 anos, como mostram as reportagens do UOL e do
Globo na última semana. É ali que muito corruptos iam esconder o resultado de
seus crimes. Aliás, não é apenas os corruptos que deverão ser investigados, mas
também o papel que teve o HSBC ao ser leniente com a entrada de dinheiro suspeito
na instituição.
UOL – O sr. acha que o governo
terá como repreender um banco tão importante e forte como é o HSBC?
Randolfe – Não se trata de achar
que vai ou não repreender. Trata-se de dizer que é necessário para o Brasil ter
um sistema financeiro que não dê guarida a quem comete crimes ou pretende
sonegar impostos. Esse é um grande problema da organização do Estado. Hoje o
governo federal está desesperado para reduzir gastos e punindo a população com
medidas restritivas, que vão desacelerar a economia. Enquanto isso, a gente
fica sabendo que mais de 8.000 pessoas que deveriam pagar impostos no Brasil
tinham cerca de US$ 7 bilhões na Suíça. Isso dá mais de R$ 21bilhões. A maior
parte desse dinheiro deve ter sido enviado ao exterior de maneira ilegal. Não
se recolheu imposto sobre esse montante. E os bancos, no caso, o HSBC, ajudaram
a produzir essa fraude.
UOL – Então o sr. acha que a CPI
não vai apenas buscar punir quem sonegou impostos ou praticou evasão de
divisas? Vai também tentar alguma investigação sobre como os bancos no Brasil
atraem clientes para levar dinheiro para fora?
Randolfe – Exatamente. E, olhe, é
importante dizer que não se trata de fechar as fronteiras do Brasil ou impedir
que alguém queira abrir uma conta no exterior. Ninguém deve ousar impor tal
restrição. Trata-se de melhorar as regras e os controles para que todos paguem
os impostos devidos de forma a não trazer prejuízos para o sistema tributário
nacional.
UOL – Quando a CPI for instalada,
qual será a linha de investigação inicial?
Randolfe – O primeiro ato da CPI
será convocar todos os órgãos responsáveis por fiscalizar os bancos e os fluxos
financeiros. Vamos convocar o Coaf [Conselho de Controle de Atividades
Financeiras], a Receita Federal, o Banco Central e o Ministério da Fazenda.
Todos terão de explicar muito bem como é possível ter um sistema tão poroso que
permite evasão de divisas e sonegação de impostos como parece ter sido o caso
que agora está sendo revelado por essas reportagens do SwissLeaks.
UOL – Mas como será possível
saber se os correntistas do HSBC pagaram ou não impostos se a CPI não tiver
acesso aos dados completos?
Randolfe – Vamos atuar de duas
formas. Primeiro, vamos requerer o acesso oficialmente ao governo francês. Eu
sei que o governo já está tentando obter os dados. Melhor ainda. Se chegar para
o governo a CPI tem poderes para solicitar uma cópia.
UOL – E até lá, o que poderá ser
feito?
Randolfe – Muita coisa.
UOL – Como?
Randolfe – Essa será a nossa
segunda forma de atuação. O governo, a Receita Federal, o Ministério Público,
enfim, os órgãos de controle precisam esperar a chegada dos dados oficiais do
SwissLeaks. A CPI, não. Para a CPI é muito fácil fazer uma lista de todos os
nomes e contas bancárias que o UOL e o Globo já publicaram, enviar tudo para a
Receita Federal e requerer a quebra do sigilo fiscal. Vamos pedir que nos digam
quem dessas pessoas declarou Imposto de Renda e incluiu nas suas declarações de
bens as contas no exterior, na Suíça.
UOL – Seria então uma quebra de
sigilo fiscal das pessoas cujos nomes já foram citados nas reportagens do UOL e
do Globo?
Randolfe – Exato. E esse será um
dos primeiros requerimentos que pretendo apresentar na CPI no momento em que
for instalada.
Fonte: UOL