Feliciano se compara a Martin Luther King em sessão da CDH
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21:52
Na primeira sessão da Comissão de Direitos Humanos e
Minorias (CDHM) da Câmara após a eleição de Paulo Pimenta (PT-RS) para
presidi-la, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) comparou-se a Martin Luther
King para defender a sua gestão da CDHM em 2013, mostrando-se ressentido com os
elogios feitos à gestão do seu sucessor, Assis do Couto (PT-PR).
"Algumas pessoas não sabem, mas os grandes direitos
humanos nasceram com a comunidade protestante, com os evangélicos. Um dos
maiores líderes de direitos humanos no mundo foi um pastor pentecostal do mesmo
segmento que o meu, doutor Martin Luther King", disse Feliciano em
referência ao pastor e ativista americano que se tornou uma liderança mundial
nas décadas de 1950 e 1960 na luta pelos direitos civis dos negros. King
recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1964 por sua luta contra a segregação racial
nos Estados Unidos. "Ao falar dentro da sua igreja, Luther King citava a
bíblia, e a gente cita o que é errado e o que é certo, o que é pecado e o que
não é", disse Feliciano, completando seu raciocínio.
O pastor deputado repetiu a argumentação de que foi
perseguido pela militância LGBT quando presidiu a comissão. Em 2013, ele se
envolveu em polêmicas e foi acusado de fazer declarações homofóbicas, racistas
e machistas. Sob seu comando, a CDHM aprovou o projeto chamado de "cura
gay", que suspendia a resolução do Conselho Federal de Psicologia que veda
tratamentos para "reverter" a homossexualidade de uma pessoa.
Feliciano se descreveu como um homem "equilibrado e de
diálogo" e acusou os adversários políticos Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Érika
Kokay (PT-DF), defensores de causas LGBT, de terem abandonado a comissão
durante a sua presidência. "Não havia ninguém aqui para propor alguma
coisa sobre os homossexuais. Inúmeras vezes convidei, falei com lideranças dos
homossexuais no País inteiro", argumentou. O pastor também acusou Wyllys e
Kokay de só se pronunciarem na Câmara sobre a morte de gays e lésbicas.
Depois de ver frustradas duas tentativas de lançar
candidaturas à presidência da CDHM, a bancada evangélica tentava um acordo para
compor a mesa com uma das vice-presidências. Feliciano ocuparia uma das três
vagas, mas a perspectiva de Wyllys ocupar também uma das posições causou
desentendimentos com a bancada e Feliciano recuou.
O pastor deixou a sessão da manhã de hoje sem falar com a
imprensa. O líder da bancada, João Campos (PSDB-GO), disse que não haverá mais
negociação. "Não vamos negociar absolutamente nada. O Marco Feliciano, o
partido dele não é da base do governo, então ele não vai compor."
Feliciano não participou da votação que confirmou a eleição
de Pimenta, alegando que estava acompanhando a CPI da Petrobras, e compareceu
atrasado à sessão da comissão. Ele também não ficou para ouvir as respostas de
Wyllys e Érika Kokay à sua fala.
Wyllys classificou a fala de Feliciano de
"desonestidade intelectual" e disse que pessoas como ele e Kokay
defendem várias designações sociais de minorias, além da comunidade LGBT, e que
é "pavoroso" que Feliciano tenha dito o contrário. O deputado do PSOL
ressaltou ainda que levantamentos apontam que 300 gays e travestis foram
assassinados por crime de ódio no País no ano passado e que é necessário acabar
com o estigma de pecado, crime e doença associado à homossexualidade.
DEBATE
O tema dos direitos LGBT e do combate à homofobia foi
central nessa primeira sessão da Comissão de Direitos Humanos, presidida por
Pimenta, com algumas falas de deputados lembrando questões ligadas a defesa de
negros, mulheres, quilombolas e índios.
O pastor Eurico (PSB-PE) se ressentiu de serem os
evangélicos acusados de homofobia por falarem o que pensam. Ele também disse
considerar que o respeito por diferença de sexo na Constituição se refere à
diferença de gênero. "Para mim só existem dois sexos: é macho e
fêmea."
Em uma fala bastante aplaudida, a deputada Érika Kokay
rebateu a fala de Eurico. "Os discursos não são inocentes. Alguns acham
que homofobia é apenas aquela onde você deixa marca, onde você rasga a pele, e
não entendem que a homofobia é muitas vezes construída nos púlpitos deste
País", disse Kokay, que defendeu em seu discurso o direito de cada pessoa
poder expressar sua sexualidade e ter direito à sua autopercepção de identidade
de gênero.
Fonte: Yahoo Notícias
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Política
