Manifestações encolhem e governo federal e PT não se manifestam
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21:29
Ao contrário do que os movimentos
organizadores dos atos anti-governo esperavam, as manifestações deste domingo
12 foram bastante menores do que as ocorridas no dia 15 de março. Com protestos
em 24 estados e no Distrito Federal, cerca de 562 mil pessoas saíram às ruas
para protestar contra o governo Dilma, segundo números preliminares das
Polícias Militares às 19 horas. O número é menor do que a metade do estimado no
ato de março, quando 1,4 milhão de pessoas se manifestaram, segundo a PM.
Diante disso, o governo federal e
o Diretório Nacional do PT decidiram alterar a estratégia de comunicação e
anunciaram que não irão se manifestar sobre os protestos deste domingo 12. Após
as manifestações do dia 15, o governo escalou dois ministros petistas, José
Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rosetto (Secretaria-Geral da Presidência),
para conceder uma entrevista coletiva, na qual defendiam que os protestos eram
formados, majoritariamente, por quem não votou na presidente. A estratégia de
diminuir a importância dos atos ao relacioná-los com um revanchismo eleitoral
foi considerado um erro por assessores da presidenta Dilma.
Assim como ocorreu no ato de
março, os principais focos dos protestos continuaram sendo em São Paulo,
Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro e foram convocados pela internet e pelo
Whatsapp pelos movimentos Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados
Online. Desta vez, no entanto, o número de manifestantes foi a metade do ato
anterior e em cidades como São Paulo foi um quarto do que o observado no mês
anterior, segundo a PM.
Embora menor, os atos aglomeraram
um número importante de pessoas que rejeitam o governo Dilma e pedem por sua
saída do poder. A maior manifestação anti-governo ocorreu novamente em São
Paulo, principal reduto do partido da oposição ao governo, o PSDB. Na capital
paulista, 275 mil pessoas ocuparam a avenida Paulista, estima a Polícia Militar
(PM). O instituto DataFolha registrou 100 mil manifestantes. A polêmica entre
DataFolha e PM em relação às medições de público já havia ocorrido na
manifestação do dia 15. No ato de março, a PM havia estimado a presença de 1
milhão de pessoas, enquanto o instituto DataFolha havia aferido 210 mil
manifestantes.
A segunda capital com o maior
número de manifestantes foi Porto Alegre. Na capital gaúcha, a Polícia estimou
35 mil pessoas no protesto, enquanto no dia 15 de março 100 mil haviam saído às
ruas, segundo a PM, ou 60 mil, segundo os organizadores. Em Brasília, os
protestos encolheram de 45 mil, em março, para 25 mil pessoas neste domingo 12.
No Rio de Janeiro, as manifestações em Copacabana caíram de 15 mil para 10 mil,
na comparação entre os atos de março e abril.
Ações de hostis por partes dos
manifestantes também voltaram a se repetir em diferentes cidades neste ato. No
dia 15 de março, a equipe de CartaCapital foi hostilizada pelo grupo Movimento
Brasil Livre (MBL), um dos organizadores dos atos. Neste domingo, as
hostilidades ocorreram, em São Paulo e no Rio de Janeiro, contra duas senhoras
que empunhavam cartazes a favor do governo Dilma.
Em São Paulo, Kim Kataguiri, um
dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), fez apologia ao crime durante seu
discurso ao defender que "o PT tem que tomar um tiro na cabeça",
segundo a IstoÉ.
A algumas quadras do carro de som
do MBL, na avenida Paulista, estavam os movimentos que defendiam o impeachment
da presidenta pela intervenção militar, como o SOS Forças Armadas. Na
sexta-feira 10, integrantes do MBL entraram com uma liminar na Justiça pedindo
que seu carro de som ficasse a 400 metros de distância de movimentos pró-intervenção
militar.
Apesar das discordâncias entre os
movimentos, todos se unem em torno das palavras de ordem "Fora Dilma"
e "Fora PT". A pauta de discussão, no entanto, é difusa e segue sem
haver consenso sobre o que deveria acontecer após um possível impeachment ou
sobre a necessidade de um reforma política.
Dois dias antes da manifestação
deste domingo, o MBL havia dito que esperava uma mobilização "ainda
maior", o que não se concretizou. Não está claro, contudo, as razões para
a queda do poder de mobilização destes movimentos. Uma pesquisa DataFolha,
realizada durante o protesto do dia 15 de março, revelou que 91% das pessoas
presentes disseram não ter ligação com nenhum dos grupos organizadores. Entre
os que declararam ter ligação, 3% disseram fazer parte do Vem pra Rua, 2%, do
Revoltados Online, e 1%, do MBL, entre outros menos citados.
Fonte: Carta Capital
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