Projetos do Banco Mundial desalojaram 3,4 milhões desde 2004
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Unknown
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16:21
O Banco Mundial regularmente
quebra sua promessa de proteger os direitos indígenas ao financiar projetos que
deslocam ou ameaçam as populações mais vulneráveis no planeta, de acordo com
nova investigação.
Despejados e Abandonados,
relatório conjunto publicado na quinta-feira pelo Consórcio Internacional de
Jornalistas Investigativos (ICIJ) e muitos outros veículos, descobriu que uma
série de projetos financiados pelo Banco Mundial – incluindo represas e usinas
de energia – expulsaram 3.4 milhões de pessoas de suas casas ou terras ao redor
do mundo desde 2004.
ICIJ revisou mais de 6.000
documentos do Banco Mundial, entrevistou atuais e ex-empregados e
representantes de governos que estiveram envolvidos nos projetos financiados
pelo Banco e descobriu que, em muitos casos, o Banco Mundial violou suas
próprias políticas internas e ignorou despejos causados pelos seus
projetos. A organização também não fez
nada para garantir a segurança ou bem-estar dos deslocados, em muitos casos não
fornecendo novas moradias ou perspectivas de emprego, como solicitados.
“Freqüentemente não havia
intenção por parte dos governos de cumprir – e não havia intenção por parte das
gerências dos bancos de fazê-los cumprir,” disse Navin Raj, um ex-representante
do Banco Mundial que foi responsável pela proteção indígena da organização de
2000 a 2012. “Era como o jogo acontecia.”
Entre 2009 e 2013, os credores do
Grupo Banco Mundial investiram $50 bilhões de dólares em projetos – como dutos
de petróleo, minas e represas – que eram mais inclinados a terem impactos
sociais ou climáticos “irreversíveis ou sem precedentes,” como deslocamentos
físicos ou econômicos, os quais já provaram “destruir redes de contatos chave e
aumentar riscos de doenças e patologias,” de acordo com o relatório.
“Populações deslocadas estão mais
inclinadas a sofrer com o desemprego e fome. As taxas de mortalidade são
maiores,” declara o relatório. Além disso, o Banco Mundial junto do setor
privado apoiou financeiramente regimes e companhias que foram acusados de violações
aos direitos humanos incluindo estupro, assassinato e tortura. Em alguns casos,
os credores continuavam a financiar as operações mesmo depois da aparição de
evidências de tais abusos.
Na Etiópia, uma iniciativa que
era focada na saúde e educação levou a apropriações ilegais de terra as quais
envolveram violentos despejos em massa. As autoridades no local desviaram
milhões de dólares de um projeto do Banco Mundial para financiar esses
deslocamentos forçados e, em 2011, soldados que foram responsáveis por dar
continuidade aos despejos mataram ao menos sete pessoas e visaram camponeses
para espancamentos e estupros, de acordo com o relatório.
O Painel de Inspeção do Banco
Mundial descobriu que a organização falhou ao reconhecer um “link operacional” entre
a iniciativa na Etiópia e a campanha de despejo em massa – uma supervisão que
violou as próprias regras do Banco Mundial.
Na Nigéria, um projeto fundado
pelo Banco para melhorar o suprimento de água, estradas e energia em Lagos
resultou no despejo de quase 2,000 moradores de favelas em Badia Oriental.
Depois de os moradores de Badia alertarem o painel de inspeção, a presidenta da
comissão Eimi Watanabe se recusou a abrir uma investigação. Em vez disso,
mandou que negociassem com o governo estadual de Lagos, o qual cedeu algumas
quantias de dinheiro como compensação. O painel então fechou o caso por causa
do “progresso feito e da provisão rápida de compensação ao povo deslocado”.
Através de projetos nesses países
e Albânia, Brasil, Honduras, Gana, Guatemala, índia, Quênia, Kosovo, Peru,
Sérvia, Sudão do Sul e Uganda, o Banco Mundial “falhou em proteger pessoas
deslocadas em nome do progresso”, afirma o relatório.
“Nesses países e outro”, a
investigação conclui, “os bancos prejudicaram moradores de favelas urbanas,
agricultores, pescadores empobrecidos, moradores de florestas e grupos
indígenas – deixando-os para que lutem por suas moradias, terras e modos de
vida, algumas vezes com intimidação e violência,” diz o relatório.
Em carta conjunta ao Banco
Mundial publicada na quarta-feira, 85 ONGs alertaram a organização a abordar as
“inúmeras falhas do sistema de garantias” e resolver “suas falhas fundamentais
profundas, identificando as pessoas que foram deslocadas pelos projetos
financiados pelos bancos e fornecendo a eles opções de desenvolvimento
sustentáveis por meio de uma série de projetos novos”.
Dentre os signatários está o
Humans Right Watch, Oxfam International e a Fundação de Lei Africana, assim
como Raquel Rolnik.
As descobertas do relatório são
“profundamente perturbadoras,” diz a carta. “Enquanto é importante que a
revisão de projetos financiados pelo Banco tenha sido publicada, a falta de
transparência demonstrada pelo banco em referência às descobertas do relatório
– por 3 anos no caso da parte 1 e 9 meses no caso da parte 2 – é inaceitável
para uma instituição pública”.
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Tradução de Isabela Palhares
Fonte: Carta Maior
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Internacional