Robert Downey Jr. dispara farpas xenófobas contra Iñárritu
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Unknown
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23:22
Encontrar Robert Downey Jr. em
Hollywood é bem simples. Basta procurar um lamaçal, e lá estará ele. O ator,
com 60 filmes no currículo, foi durante anos a encarnação do enfant terrible do
cinema norte-americano. Prisões em becos escuros, farras narcóticas, demissões
em plena filmagem e declarações inoportunas o colocam periodicamente no olho do
furacão. Um lugar onde, chegada a maturidade, com 50 anos recém-completados e
um dos maiores faturamentos de Hollywood, ainda parece sentir-se à vontade. O
mais novo escândalo foi desencadeado pelas perguntas de um jornalista do The
Guardian, às quais respondeu com farpas xenófobas que encolerizaram o México.
O alvo foi o cineasta Alejandro
González Iñárritu, que vive dias de glória após ganhar três Oscars neste ano
(melhor filme, melhor roteiro original e melhor direção) por Birdman. Um filme
em que o universo dos super-heróis serve de pretexto para uma torturada
reflexão existencial, totalmente oposta à caricatura habitual desses
personagens de HQs: “Sempre os vejo matando gente por não acreditarem no mesmo
que você ou por não serem o que querem ser. Odeio isso e não respondo a esses
personagens. Foram um veneno, um genocídio cultural, porque a audiência fica
superexposta ao complô, a explosões, e essa merda não significa nada a respeito
da experiência do ser humano. […] Filosoficamente eu não gosto”.
Estas declarações de Iñárritu,
feitas em inglês no ano passado à revista Deadline, foram convenientemente
desempoeiradas pelo jornalista do Guardian, que, sem ligar para nuances,
provocou Downey na entrevista: “González Iñárritu diz que os filmes de
super-heróis são um genocídio cultural”.
O ator, protagonista indiscutível
da superprodução Homem de Ferro, arqueou as sobrancelhas e disparou em
resposta: “Olhe, eu o respeito. Acredito que, para um homem cuja língua nativa
é o espanhol, ser capaz de armar uma frase como ‘genocídio cultural’ fala de
como ele é brilhante”.
Bastou para que as redes sociais
explodissem e para que, no México, a envenenada frase se transformasse em um
dilúvio universal. O comentário, com seu perigoso viés racista, não só ataca
uma figura que orgulhou milhões de mexicanos por seu triunfo nos Estados Unidos
como também expõe o lado obscuro das sempre complexas relações entre ambos os
povos. Esse desprezo, que aparece em geral veladamente, também surge
eventualmente de forma explícita no caso de personalidades mais extremas. Já
havia ocorrido na noite em que Iñárritu ganhou os três Oscars, e o
multimilionário Donald Trump ironizou o cineasta e aproveitou para descrever o
México como um país corrupto.
Nos antípodas disso, embora com
uma aspereza difícil de digerir, situaram-se as palavras de Sean Penn, o ator
que aquela noite entregou a estatueta de melhor filme a Iñárritu. Antes de
revelar o nome do vencedor, naquele momento de tensão mágica com o qual todo
ator sonha, Penn perguntou, diante de uma audiência planetária: “Quem deu o
green card para esse filho da mãe?”. Uma brincadeira entre velhos amigos,
buscando justamente o efeito contrário – expressar a admiração pelo estrangeiro
–, mas que foi mal acolhida no México, um país escaldado pelos ataques de
alguns destacados vizinhos do norte. Sejam eles vilões ou super-heróis.
Fonte: El País
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