Comissão da Câmara aprova redução da maioridade penal e ameaça direitos da juventude
Postado por
Unknown
às
11:48
Bernardo Aratu – Esquerda Diário
Nesta quarta-feira (17) a
Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou a redução da maioridade penal
de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos. A medida representa um ataque
aos direitos humanos e da juventude no Brasil e agora será encaminhada para
votação em plenário.
Por ser uma emenda à constitução
a medida deve ser votada em dois turnos, com pelo menos 308 favoráveis na
Câmara; se aprovada deve seguir para votação em dois turnos no Senado.
Após protestos na semana passada,
nesta quarta-feira as galerias foram esvaziadas e o acesso estava restrito
apenas à imprensa. A votação foi precedida por articulações políticas entre os
principais partidos do poder, que podem ser melhor compreendidas aqui. O fruto
desta articulação que envolveu PT, PSDB e PMDB foi uma aliança de última hora
entre os dois últimos que garantiu a aprovação com apenas seis votos contrários
(21 favoráveis).
A presidenta Dilma e o ministro
da Justiça José Eduardo Cardozo seguem se pronunciando contrários à medida. No
entanto a votação desta quarta-feira deixou claro que não há uma oposição real
por parte do governo à medida. Pelo contrário, desde que buscou implementar
medidas de maior encarceramento dos jovens se aliando ao PSDB, como a proposta
de aumentar de três para oito anos o tempo máximo, até a votação de hoje, a
postura do governo foi de não tensionar demais com a oposição e setores da
direita – inclusive com a preocupação de não atrapalhar os planos de
implementação do ajuste fiscal.
A maior oposição mais uma vez foi
devido à presença de manifestantes, que mesmo fora das galerias fizeram ecoar
sons de apitos e gritos de “Não à redução” e em favor da educação. Após o fim
da sessão estudantes enfrentaram os parlamentares em protesto contra a
aprovação da medida.
MEDIDA COLOCA DIREITOS EM JOGO
A redução da maioridade penal é
uma medida que vai no sentido oposto do que vem ocorrendo no resto do mundo e vem
sendo criticada por diversas organizações internacionais, por exemplo a Humans
Rights Watch e a Unicef declararam a aprovação da medida um retrocesso.
Isso porque, muito além do debate
de que se um jovem é consciente ou não do que está fazendo quando comete um
crime, está o fato de que os jovens constituem uma parte especial da sociedade,
justamente a parte que é mais vulnerável às mazelas sociais. Em momentos de
crise esta é a parte mais afetada, sofrendo várias vezes mais que os adultos os
efeitos do desemprego e da desigualdade social, como mostram os exemplos de
diversas crises em diversos países onde os índices de desemprego entre os
jovens são por vezes duas ou mais vezes superior aos dos mais velhos.
Por outro lado, em momentos de
maior estabilidade, os jovens constituem a parte que representa maior potencial
de produção de riqueza de um país. Por isso, a qualidade de vida e os direitos
democráticos para os jovens em um país servem também como um termômetro que
mede o nível de qualidade de vida e de democracia de toda a população
trabalhadora.
Portanto, a postura do governo
neste tema, ao negociar os direitos dos setores mais vulneráveis em troca de
acordos com setores da direita para preservar a viabilidade dos ajustes
fiscais, pode colocar em risco estes direitos, humanos e democráticos de amplos
setores da classe trabalhadora, a começar por sua juventude.
Por isso esta medida tende
somente a fortalecer os setores que querem descarregar sobre as costas da
classe trabalhadora os custos da crise que os ricos e sua sede de lucro criaram
e deve ser rechaçada por todos os trabalhadores e jovens que se preocupam com o
futuro de nossa classe.
Categorias:
Sociedade
