Dilma e Lula esnobaram tentativas de aproximação de FHC, hoje o cercam
Postado por
Unknown
às
13:50
Por Josias de Souza
O alto tucanato recebeu com um pé
atrás o flerte de Lula e Dilma Rousseff com Fernando Henrique Cardoso. Há cinco
meses, a dupla esnobou FHC. No final de fevereiro, o ex-presidente tucano
sinalizou para Dilma seu interesse em conversar. Fez isso por meio de um amigo
comum, o advogado e ex-deputado petista Sigmaringa Seixas.
Numa conversa testemunhada pelo
deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ex-ministro do seu governo, FHC queixou-se da
tática do “nós contra eles”, adotada por Lula para estigmatizar a oposição.
Antevendo uma deterioração dos cenários político e econômico, mostrou-se aberto
ao diálogo com a presidente.
Nos primeiros dias de março,
Sigmaringa transmitiu a Dilma o teor da conversa que tivera com FHC. Ela reagiu
com indiferença. Não esboçou interesse em dialogar. Embora os recados de FHC
fossem endereçados apenas a Dilma, Sigmaringa relatou o encontro também para
Lula. Que refugou a tentativa de aproximação.
Os meses se passaram.
Confirmaram-se os vaticínios de FHC. Com a economia em frangalhos, a lama da
Petrobras a invadir-lhe a caixa de campanha e sitiada pelos aliados no
Congresso, Dilma manifesta o desejo de estreitar a inimizade. Lula já não vê a
aproximação como um despropósito.
Agora é FHC quem torce o nariz.
Já havia estendido a mão para o petismo noutras oportunidades. Numa delas,
dirigiu-se ao próprio Lula. Sem intermediários. Encontraram-se a bordo do jato
presidencial, a caminho da África do Sul. Integravam a comitiva de
ex-presidentes que Dilma levou aos funerais de Nelson Mandela.
No voo de volta, observado pelos
ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor, FHC disse a Lula que era hora de
unirem forças para reformar a política. Ainda latejavam na conjuntura os
protestos que encheram as ruas na jornada de junho de 2013. E FHC disse para
Lula que, sem uma reação adequada, a crise tragaria todos os políticos, sem
muita distinção partidária. O morubixaba petista respondeu que estava mais
preocupado com a eleição presidencial do ano seguinte.
Categorias:
Política
