Governo anuncia corte extra de R$ 8,6 bilhões de reais e admite crise econômica
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11:49
Esquerda Diário
Na tarde de ontem, 22, Joaquim
Levy (presidente do Banco Central) e Nelson Barbosa (ministro do Planejamento)
anunciaram a redução da meta do superávit primário do governo, que é a economia
para o pagamento dos juros da dívida externa que o país realiza todos os anos.
Além disso, o governo anunciou maiores cortes no orçamento público.
A decisão de redução da meta de
superávit primário de 66,3 bilhões de reais (valor estimado no começo do ano e
que equivale a 1,1% do PIB) para 8,7 bilhões (0,15% do PIB), foi tomada com o
argumento de que a economia cresceu menos do que o esperado pelo governo neste
semestre. Além disso, o governo teria gasto mais do que o previsto pela equipe
de Levy, o seria agravado com a redução do ritmo de crescimento da economia que
leva o governo a arrecadar menos com impostos sobre as mercadorias produzidas e
em circulação. Mesmo com os cortes anunciados por Dilma em maio e com as
concessões de serviços e infraestrutura públicas para a iniciativa privada.
Segundo o Ministério do Planejamento,
o governo não terá dificuldades para aprovar no Congresso o Projeto de Lei que
altera a meta de superávit primário do setor público consolidado (Governo
Central, estados e municípios). Como declarou Barbosa, “Já tivemos manifestação
da base do governo de que teremos o apoio necessário. Nosso movimento terá
acolhida no Congresso”.
O governo ainda anunciou um corte
adicional de R$ 8,6 bilhões no orçamento de 2015. O corte se soma à redução de
R$ 69,9 bilhões anunciada em maio, totalizando um corte acumulado de R$ 79,4
bilhões em todas as áreas de governo. Segundo Nelson Barbosa, “o corte
adicional atingirá todos os ministérios e será detalhado no decreto de
programação orçamentária que deverá ser publicado até o dia 30 de julho”. Essa
afirmação do ministro indica que o governo vai cortar os gastos públicos, em
todos os ministérios incluindo saúde e educação, serviços à população, para
assim reduzir o consumo e drenar verbas públicas ao pagamento dos juros para os
banqueiros internacionais e para os grandes capitalistas que são os credores de
nossa dívida externa.
Levy e Barbosa anunciaram que
apostam que o governo aumentará a arrecadação de recursos por meio da
repatriação de divisas (recursos que estão no exterior, em paraísos fiscais, e
que são provenientes de evasão fiscal por empresas e pessoas físicas, o projeto
de lei ainda está para ser discutido na Câmara em agosto) e por meio dos
programas de concessões de rodovias e aeroportos.
Ou seja, a redução da meta do
superávit primário não significa que o governo irá reduzir seu “esforço fiscal”
(que significa maiores cortes) para cumprir com suas obrigações junto ao FMI e
aos bancos internacionais, a medida indica também que o governo prevê a
continuidade da tendência de queda no PIB até o fim do ano (que será
responsável por menor arrecadação de impostos, maiores demissões, etc). Não
quer levar adiante uma meta de superávit que não possa cumprir devido a
recessão na economia e as dificuldades políticas. Inclusive para aprovação de
cortes ainda maiores junto ao Congresso e também com a pressão da luta dos
trabalhadores e da população (o ajuste fiscal também está empurrando para baixo
a popularidade de Dilma) - que são os grandes alvos do ajuste.
A estratégia de Dilma, como este ajuste fiscal
neoliberal encabeçado por seus ministros e por Levy, é reduzir os gastos
públicos e sociais, privatizar (por meio das concessões) serviços e
infraestrutura, entregar o Pré-Sal e os recursos da Petrobrás ao capital
estrangeiro, a fim de somar recursos para o pagamento dos bancos e empresários
(pagamento este que cresce à medida em que aumenta a taxa de juros pelo Banco
Central), enquanto os trabalhadores e o povo pobre pagam a conta. Na entrevista
de ontem com Barbosa e Levy nada se falou sobre como os empresários poderiam
pagar a conta da crise com seus lucros, por exemplo. Nas próximas entrevistas
também não falarão porque o prognóstico é que a dívida continuará sendo cobrada
na conta do trabalhador.
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