Mapa da violência no Brasil revela: aumenta o feminicídio no país
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21:35
Esquerda Diário
O estudo sobre a violência de
gênero no país demonstra a cruel face da combinação estabelecida entre racismo
e gênero: em uma década (2003-2013), os homicídios contra as mulheres negras
aumentaram em 54%, passando de 1.864 casos em 2003 para 2.875 em 2013 (sendo
66,7% maior do que o índice de morte das mulheres brancas no país), ao passo
que o índice de mortes violentas de mulheres brancas diminuiu 9,8%, um pequeno
avanço de direitos para uma parcela pequena de mulheres.
Segundo o Mapa da Violência no
Brasil, apenas em 2013, 4.762 mulheres foram assassinadas no país, posicionando
o Brasil no quinto lugar no mundo em número de assassinatos de mulheres (só
está melhor que El Salvador, Colômbia, Guatemala e Federação Russa), onde
revela-se o dado de que ocorrem no país 13 homicídios femininos por dia, ou
seja, uma mulher morre assassinada a cada 1h50min. Este número demonstra o que
seria o equivalente a exterminar todas as mulheres em 12 municípios do país em
um mês, como Borá (em SP) ou Serra da Saudade (em MG), que têm menos de 400
habitantes do sexo feminino.
Lei Maria da Penha "para
inglês ver"
Lei Maria da Penha, que entrou em
vigor em 2006, foi capaz de encolher a estatística de violência contra as
mulheres. Depois da promulgação da lei, apenas cinco Estados registraram queda
nas taxas. A lei, sancionada em agosto de 2006 com o objetivo de aumentar as
punições para os crimes de violência doméstica e familiar cometidos contra
mulheres mostra-se totalmente insuficiente perante a realidade das mulheres do
Brasil.
O Mapa da Violência revela que
55% dos crimes de violência de gênero no Brasil foram cometidos dentro do
ambiente doméstico, sendo 33,2% dos homicidas parceiros ou ex-parceiros das
vítimas. Isso significa que, a cada 10 mulheres com mais de 18 anos, quatro
foram mortas pelos companheiros ou ex-companheiros, que usaram, com maior
prevalência, força física ou objeto cortante.
Mulheres negras são as maiores
vítimas do feminicídio
"As mulheres negras estão
expostas à violência direta, que lhes vitima fatalmente nas relações afetivas,
e indireta, àquela que atinge seus filhos e pessoas próximas. É uma realidade
diária, marcada por trajetórias e situações muito duras e que elas enfrentam,
na maioria das vezes, sozinhas", diz Nadine Gasman, da ONU Mulheres
Brasil. Os Estados com maiores taxas de feminicídio de negras são Espírito
Santo, Acre e Goiás. O número de mulheres negras assassinadas só diminuiu em
Rondônia e em São Paulo.
O Mapa da Violência conclui que a
população negra é vítima prioritária da violência homicida no Brasil, enquanto
as taxas de feminicídio contra a população branca tendem, historicamente, a
cair.
Os dados mostram que as mulheres
negras hoje se encontram em uma posição desfavorecida na sociedade em relação
às mulheres brancas, principalmente a partir de uma diferença econômica entre
as raças, onde as negras, que seguem ocupando os piores postos de trabalho na
sociedade, se veem impossibilitadas de conquistar a independência financeira
dos homens para poderem sair de casa e deixar seus maridos. A opressão racista
e machista combinadas com a exploração capitalista intensificou os desafios que
as mulheres negras enfrentam cotidianamente.
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