Um "novo Ministério" à imagem e semelhança de Levy
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16:32
Os petistas esperavam mostrar a
"nova figura" de Nelson Barbosa como um alteração à esquerda na
condução do Ministério da Fazenda, no lugar de um alto funcionário do Bradesco
em que o mesmo PT apostou para dar o curso inicial dos ajustes. Entretanto, na
cerimônia de investidura para assunção do cargo, o novo ministro da Fazenda
Nelson Barbosa deixou claro ser o "sucessor legítimo" de Levy, pois
este e os ajustes que dirigia nada mais eram que produto da política de ataques
do PT.
Barbosa declarou que "apesar
das turbulências, investidores internacionais e nacionais podem continuar
confiantes no Brasil". Uma mudança de figura para manter o conteúdo
central da política econômica de Levy.
Tanto assim que as principais
cadeiras continuarão com as pessoas convocadas pelo ex-ministro Levy. Barbosa
informou que os secretários da Receita Federal, Jorge Rachid, da Secretaria de
Acompanhamento Econômico, Paulo Corrêa, e de Assuntos Internacionais, Luis
Balduíno, permanecerão no cargo. Marcelo Saintive, do Tesouro Nacional, também
ficaria caso não tivesse negado o convite de permanência.
Essa resposta veio para sanar as
dúvidas dos mercados, que lucraram tanto na década anterior sob os governos de
Lula e Dilma, e que manifestavam receios sobre um relaxamento no ajuste fiscal
e uma maior receptividade de Barbosa ao "intervencionismo" do
governo. Fruto disso, o dólar subiu ontem pela primeira vez acima de quatro
reais, e as bolsas brasileiras tiveram índices de queda.
Dilma e seus ministros foram
taxativos em afirmar que a substituição de ministros tem como base a
continuidade do ajuste fiscal, aliado com discursos sobre "crescimento
econômico" que eram ausentes na boca de Levy.
"Perseguimos em 2015 uma
estratégia de estabilização fiscal que continuará nos guiando nos próximos anos
com metas realistas e transparentes. Precisamos, contudo, ir além da tarefa de
cortar gastos e colocar as contas em dia, estabelecendo prioridade também para
a retomada do crescimento e a construção do ambiente de confiança favorável à
criação dos investimentos e à criação dos empregos," disse Dilma.
Durante a posse, Dilma lembrou
que ainda faltam medidas fundamentais para o equilíbrio das contas, como a
reforma da Previdência e a reforma do PIS/Cofins. "Precisamos aprovar
reformas como aquela na área da Previdência, cujo objetivo é assegurar a
sustentabilidade no médio e no longo prazo do patrimônio dos trabalhadores,"
deixando explícito o conteúdo do "crescimento econômico" que o PT tem
em mente: um ataque em regra à aposentadoria.
Para que ficasse clara a
continuidade da linha de austeridade contra os trabalhadores, Dilma aproveitou
para agradecer e elogiar o ex-ministro Joaquim Levy, que estava presente na
cerimônia. "Minhas primeiras palavras são de agradecimento ao ministro
Joaquim Levy. Sua presença a frente do ministério da Fazenda foi decisiva para
que fizéssemos ajustes imprescindíveis. Sua dedicação, assim como seu trabalho,
ajudaram na aprovação da legislação fiscal mesmo em um ambiente de crise
política".
O canto de sereia dos ajustes combinados ao "crescimento"
A continuidade com a linha de
Levy é inquestionável e até mesmo os setores mais receosos do capital financeiro
já diminuíram grandemente seus temores. Também não convencem os trabalhadores
de qualquer mudança na linha geral dos ajustes, que terão de se enfrentar num
grande movimento nacional para barrar estes ataques.
Dilma e o PT ensaiam pela enésima
vez a combinação inusitada de draconianos ajustes fiscais e ilusões de
"crescimento econômico". O objetivo é ocultar por trás do discurso de
"crescimento" a realidade dos ajustes, para solidificar bases firmes
que fortaleçam o governo contra o processo já bastante debilitado de
impeachment. Como dissemos, o governo conseguiu êxitos consideráveis na semana
passada, tendo o STF assegurado que a decisão do impeachment fica sob
jurisdição do Senado, logo após as manifestações governistas terem superado em
número as manifestações pró-impeachment da direita.
Entretanto, a verdade é que todos
os indicadores e previsões, até mesmo do governo, indicam que a recessão deve
continuar no próximo período. Uma situação econômica que combina grande
inflação, queda no índice de empregos e recessão econômica, com mais de 40% do
orçamento nacional se esvaindo em pagamento de juros da dívida, fica impossível
pensar qualquer recuperação econômica.
Da nossa parte, seguimos
insistindo na fortaleza da política de uma política independente, que só pode
ser dizendo: nem impeachment, nem “fica Dilma”, nem eleições gerais que mantém
as regras do jogo, nem a constituinte de 88 que foi tutelada pelos militares,
por uma nova constituinte imposta pela força da mobilização.
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