Bolsonaro defende que a PM mate mais no Brasil
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17:27
São Paulo - A alta letalidade
policial no Brasil ainda é pequena na opinião do deputado federal Jair
Bolsonaro (PP-RJ). Em vídeo postado pelo seu filho, o também deputado Eduardo
Bolsonaro (PSC-SP), o parlamentar fluminense afirmou que “violência se combate
com violência”, e não com bandeiras de direitos humanos, como as defendidas
pela Anistia Internacional.
Questionado sobre um levantamento
da organização que mostrou que a polícia brasileira é a que mais mata no mundo,
Bolsonaro se irritou e disse que ainda é pouco diante da criminalidade que
impera no país.
“Eu acho que essa Polícia Militar
do Brasil tinha que matar é mais. Quase metade dessas mortes são em combate, em
missão. Então, a Anistia Internacional está na contramão do que realmente
precisa a segurança pública do nosso país”, afirmou o parlamentar do PP.
Dados da 9ª edição do Anuário de
Segurança Pública, publicados pelo jornal Folha de S. Paulo, mostram que 3.022
pessoas foram mortas por policiais no Brasil em 2014 – uma média de oito por
dia.
O número é maior, por exemplo, do
que o número de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos EUA. Em
2015, só a PM de São Paulo já matou mais de 570 pessoas, e caminha para bater o
recorde do ano passado, quando matou quase 1 mil.
A letalidade policial é um dos
elementos que levam o país a ser mais mortal do que nações que vivem conflitos
bélicos, com 56 mil homicídios anuais.
Só envolvendo a juventude, é como
se caísse um avião a cada dois dias, conforme disse a Anistia ao Brasil Post no
fim do mês passado, durante o lançamento de uma exposição em São Paulo para
debater a violência contra os jovens brasileiros – 77% dos quais homens, negros
e pobres. Para Bolsonaro, a Anistia é formada por “canalhas” e “idiotas”.
“Esses canalhas tinham que
ensinar na prática como o policial militar tem que agir. O policial vai ter que
decidir entre reagir e ir pra cadeia e não reagir e ir para o cemitério. Esse
pessoal da Anistia, se um dia eu tiver um mandato presidencial, vocês não vão
mais interferir na nossa vida interna aqui do nosso país. O marginal só
respeita o que ele teme”, analisou.
Para Bolsonaro, é preciso “dar
segurança jurídica” para que a polícia possa trabalhar, matando se for
necessário.
“Eu tenho um projeto aqui na
Câmara, se alguém está roubando uma bicicleta, se eu atirar naquele vagabundo,
eu não respondo por crime nenhum. Eu não sou mais passível de ser punido. Tem
que ser assim, caso contrário, cada vez mais, esse pessoal vai mudando o nível,
começa a roubar lá em baixo, até que começa a roubar a Petrobras com Dilma
apoiando”, emendou o deputado.
Por fim, questionado sobre um
episódio registrado em São Paulo recentemente, quando um PM foi filmado jogando
um suspeito de ter cometido um roubo do telhado de uma casa, Bolsonaro chegou a
lamentar à sua maneira. “Tinha que ser um prédio, ok? Infelizmente foi de uma
casa. O vagabundo respeitando o policial, não vai virar esse tipo de ações,
pode ter certeza”.
Muito bem votado nas últimas
eleições, em 2014, Bolsonaro estuda deixar o PP e se filiar a outro partido (a
bola da vez é o PSC, do Pastor Everaldo e de Marco Feliciano) para tentar uma
candidatura à Presidência da República, em 2018.
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