Brasil tem que combater violência policial e abusos na prisão
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02:31
As prisões brasileiras abrigam
mais de 600 mil pessoas, 61% acima de sua capacidade. A superlotação coloca os
presos em situação de violência e vulnerabilidade, além de permitir o
fortalecimento das facções criminosas.
Com base nessa realidade, a
organização internacional Human Rights Watch (HRW) aponta, no Relatório Mundial
2016 divulgado nesta quarta-feira (27), que o Brasil tem que combater os abusos
cometidos nas prisões e pela polícia. Na avaliação da entidade de direitos
humanos, o país precisa garantir que os responsáveis por torturas e execuções
sejam responsabilizados, além de tomar medidas efetivas para aliviar as
condições desumanas que atualmente existem nas prisões superlotadas.
Em relação à violência praticada
pela polícia, o relatório aponta que, em 2015, as mortes causadas por policiais
– em serviço e fora de serviço – ultrapassaram 3 mil, com aumento de quase 40%
em relação ao ano anterior. Somente no Rio de Janeiro foram 644 mortos no ano
passado, um aumento de 10% em relação a 2014. Em São Paulo, os policiais em
serviço mataram 494 pessoas em 2015, registrando aumento de 1%.
A Human Rights Watch também
contesta a redução da maioridade penal (PEC 171/93) e o projeto de lei de
combate ao terrorismo (PL2016/2015) que, com uma linguagem vaga, poderia
permitir que manifestantes e críticos fossem presos como terroristas.
O relatório, que é anual, avalia
o respeito aos direitos humanos em mais de 90 países. Em uma análise global, a
organização afirma que a “política do medo” levou governos de todo o mundo a
reduzir direitos em esforços equivocados de proteger a segurança nacional. Esse
contexto permitiu também que governos autoritários intensificassem a repressão
a opositores independentes.
Categorias:
Direitos Humanos
