Governo Dilma Rousseff diminui repasses a bolsistas do CNPq
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18:49
O valor repassado pelo governo da
presidente Dilma Rousseff (PT) a bolsistas de mestrado e doutorado de todo o
país, por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e
Tecnológico), caiu de R$ 434,9 milhões para R$ 425,2 milhões entre 2014 e 2015.
Isso representa uma queda anual
de R$ 9,7 milhões nos repasses a pesquisadores. Em termos percentuais, o recuo
foi de 2,2%.
É o que aponta levantamento
inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados do CNPq obtidos por meio da
Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).
De acordo com as informações
disponibilizadas pelo órgão, a diminuição dos repasses afetou mais quem faz
doutorado: entre 2014 e 2015, os gastos com bolsas para pesquisadores desse
grau acadêmico caíram 3% (de R$ 265,9 milhões para R$ 257,2 milhões). Isso
representa uma diferença anual de R$ 8,7 milhões nos desembolsos destinados a
esse grupo de bolsistas.
Quanto às bolsas de mestrado, a
queda anual foi de 0,5% (de R$ 168,9 milhões para R$ 160 milhões). (Veja o detalhamento
desses dados no infográfico abaixo.)
Se 2015 registrou uma queda em
relação ao ano anterior nos investimentos feitos pelo CNPq em pesquisa
científica e tecnológica em todo o país, isso deve se repetir neste ano.
É que o que orçamento do CNPq de
2016 foi aprovado, em dezembro de 2015, com corte R$ 360,3 milhões em relação à
verba prevista no projeto da LOA (Lei Orçamentária Anual) enviado pelo governo
Dilma Rousseff ao Congresso Nacional em agosto. No início de janeiro, a
presidente sancionou a LOA sem nenhum veto.
O corte nos recursos destinados
ao CNPq foi de 14% (de R$ 2,2 bilhões para R$ 1,9 bilhão). Esse montante
representa, porém, tudo o que a agência de fomento tem para executar 2016, o
que inclui o dinheiro repassado aos bolsistas de mestrado e doutorado de todo o
país.
Criado em 1951, o CNPq (Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) é uma agência de fomento
vinculada ao overno Dilma Rousseff. A nomeação dos presidentes de seu conselho
deliberativo é feita pelo titular da pasta da Ciência e Tecnologia.
O atual presidente desse conselho
é o bioquímico Herman Chaimovich, membro do Instituto de Química da USP
(Universidade de São Paulo) e ex-coordenador do programa Cepids (Centros de
Pesquisa, Inovação e Difusão), da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de São Paulo).
Ele foi nomeado por Aldo Rebelo,
atualmente titular do Ministério da Defesa. Rebelo foi substituído, em outubro
de 2015, pelo deputado federal Celso Pansera (PMDB/RJ), aliado de Eduardo Cunha,
que se tornou conhecido ao ser chamado de “pau mandado” do presidente da Câmara
dos Deputados pelo doleiro Alberto Yousseff, um dos principais delatores dos
processos vinculados à Operação Lava Jato.
Por que isso é importante?
O direito à educação é um dos
direitos sociais previstos no art. 6º da Constituição Federal de 1988. Segundo
o art. 218 da Constituição Federal, o Estado “promoverá e incentivará o
desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica
e a inovação”.
O § 1º desse mesmo artigo diz que
“a pesquisa científica básica e tecnológica receberá tratamento prioritário do
Estado, tendo em vista o bem público e o progresso da ciência, tecnologia e
inovação”.
O Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação disse por meio de nota que “houve, sim, diminuição de
recursos no ano passado, mas motivada por emendas supressivas realizadas no
Congresso Nacional”.
De acordo com o ministério,
apesar disso, “o CNPq, graças à estreita relação desta Agência com as ações e
determinações do MCTI, conseguiu manter em 2015, em condições nacionais
complexas, quase integralmente o apoio a pesquisa, inovação e formação do pessoal”.
Quanto ao corte no orçamento de
2016, o órgão afirmou que “ações corretivas estão sendo estudadas pelo CNPq em
conjunto com o MCTI” para que esse corte seja sanado.
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