PMDB já endereçou coroas de flores para Dilma
Postado por
Unknown
às
17:46
O cronista Nelson Rodrigues dizia
que morrer significa, em última análise, um pouco de vocação. Jurada de morte,
a gestão Dilma finge estar cheia de vida. Mas o governo é um vivo tão pouco
militante que o PMDB decidiu enviar-lhe coroas de flores e atirar-lhe na cara a
última pá de cal. Deve fazer isso na próxima terça-feira, quando seu diretório
nacional planeja desligar da tomada o aparelho que mantém a respiração
artificial do governo.
A situação da gestão Dilma é de
uma simplicidade estarrecedora. Fraca, inepta e impopular, a presidente cavalga
uma megacrise de três cabeças —ética, econômica e política. Sua administração
encontra-se em estado terminal. Até o diretório do PMDB no Rio, que segurava a
vela na porta da UTI, optou pelo desembarque. Considerando-se o faro aguçado da
caciquia que controla o partido, se o PMDB decidiu tomar distância é porque o
governo chegou à fase da decomposição. Outras legendas virão atrás.
Ah, o PMDB. Isso é que é partido
eficiente! Ajuda eleger, vira cúmplice no assalto às arcas públicas, rompe
fazendo cara de nojo e prepara, estalando de pureza moral, a transição que
levará Michel Temer à poltrona de presidente da República com o apoio da
oposição. Exausto de ajudar Dilma, o principal aliado do Planalto concluiu que
chegou a hora de substitui-la. E não há Lula capaz de fazer ao PMDB oferta tão
tentadora quanto a troca de sete cadeiras de ministro sob Dilma pela poltrona
de presidente num cada vez menos hipotético governo-tampão de Temer. A essa
altura, só há uma força em condições de deter os planos do PMDB: a Lava Jato.
Categorias:
Política
