Políticos de Angicos podem ser atingidos por escândalo da AL-RN
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23:28
A Assembleia Legislativa do Rio
Grande do Norte (AL-RN) conta com mais de 3 mil funcionários em seu quadro
funcional que custam aos cofres públicos mais de R$ 1 bilhão por legislatura. O
problema é que somente 552 funcionários são efetivos e o restante, mais de 2
mil e quinhentos, o que equivale a 81% do quadro funcional, são cargos
comissionados indicados pelos deputados. Alguns sequer cumprem o expediente e
isso ficou claro com o novo Portal da Transparência do parlamento estadual.
O Ministério Público já abriu uma
investigação contra 22 suspeitos de serem “fantasmas” na Assembleia potiguar. Os
22 possíveis 'fantasmas' são investigados em 18 inquéritos civis instaurados
nas cinco Promotorias do Patrimônio Público de Natal. "Após a divulgação
do Portal da Transparência, através de uma ação movida pelo MP, surgiram mais
denúncias de possíveis servidores que recebem seus salários sem trabalhar. E as
Promotorias do Patrimônio Público estão preparadas para receber mais denúncias.
Tudo será devidamente apurado", falou o procurador-geral de Justiça,
Rinaldo Reis.
O novo Portal da Transparência
permitiu perceber que não são apenas 22 os “fantasmas” que “assombram” os
corredores da AL-RN. O número é muito maior. Na grande maioria dos interiores
se constata a cada dia mais nomes de apadrinhados dos políticos locais que
conservam cordiais e amistosas relações com deputados da Assembleia. Em Angicos
uma página de Facebook intitulada ANGICOS AGORA catalogou uma lista de pessoas da cidade que estão lotados na AL-RN. A
única semelhança entre todos os nomes é uma: todos são parentes de políticos
locais.
A elite política de Angicos está
bem representada no quadro funcional da AL-RN. São muitos que ocupam cargos em comissão. O prefeito
Júnior Batista (DEM), a presidenta da Câmara Municipal, Nataly Felipe (PTB), os
vereadores Neto Maciel (PMDB) e Clóvis Tibúrcio (PMDB) e a suplente Katia
Silene (PSD) tem parentes próximos indicados nas hostes do parlamento estadual.
Alguns desses nomes são de conhecimento popular que não frequentam a AL-RN, seja
por não residirem em Natal ou por já trabalharem em outros locais. Os principais
comunicadores locais, titulares de blogs noticiosos, a exemplo de muitos
jornalistas da esfera estadual, silenciaram e silenciam sobre o caso.
A probabilidade de angicanos
figurarem como “funcionários fantasmas” é muito alta e isso abre um debate na
cidade sobre a corrupção que ocorre nas mais diferentes esferas e a possibilidades dos políticos locais serem atingidos pela repercussão do escândalo. O Ministério
Público deve fazer uma séria e ampla investigação que apure todos os casos. Além
de Angicos, a parentada de políticos das cidades de Mossoró, Caicó, Santa Cruz,
Lajes, dentre outros, figuram como possíveis “fantasmas” da AL-RN. A recente
demissão de mais de 600 comissionados não é a resposta para um escândalo de
corrupção dessa dimensão. A indignação da população potiguar é legitima, o MP
deve uma resposta a sociedade e manifestações contra a corrupção já estão
marcadas para o começo da tarde da próxima segunda (7/março) em frente a AL.
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