Milhares de argentinos pedem a renúncia de Macri na Praça de Maio
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18:58
Milhares de pessoas estão se
manifestando na Praça de Maio, em Buenos Aires, na noite desta quinta-feira,
exigindo a renúncia do presidente argentino, Maurício Macri, envolvido no
escândalo dos "Panama Papers". A informação é do portal argentino La
Nación.
Como revelado pela investigação
jornalística mundial, Macri possui contas offshore no Caribe, o que causou
indignação em diversos setores da sociedade do país vizinho.
O protesto foi convocado através
das redes sociais. Uma multidão se encontra, munida de cartazes e banderas, na
frente da Casa Rosada, sede do governo portenho.
"Mauricio, me diz como é
lavar dinheiro no Panamá", cantam os manifestantes do ato "7A (7 de
abril) por el Juicio Político A Macri" ["7 de abril pelo julgamento
político de Macri", em tradução livre].
Macri se defende e oposicionistas atacam
Macri, ex-presidente do clube de
futebol Boca Juniors, admitiu ter feito parte de uma sociedade familiar
offshore nas Bahamas, de acordo com o relatório divulgado pelo "Panama
Papers".
O líder argentino explicou que
foi "designado ocasionalmente" como diretor da sociedade e que
"nunca teve nem tem participação no capital" [dessa sociedade].
Nessa quarta-feira, o deputado
kirchnerista Norman Martínez apresentou uma denúncia penal contra o presidente
Macri, para que ele seja investigado por evasão fiscal.
Franco Macri, pai do presidente e
proprietário de um dos grupos empresariais mais importantes da Argentina,
assumiu a responsabilidade por ter colocado o nome do filho como "diretor
circunstancial" de uma empresa que não teria sido ativada.
Panama Papers contas offshore e brasileiros
A investigação foi feita pelo
Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês)
sobre a indústria de empresas offshore. Esse tipo de empresa pode ser usada
para esconder dinheiro e dificultar o rastreamento de seus verdadeiros donos.
Na Argentina, profissionais do La
Nación e do Canal 13 integraram os trabalhos da investigação sobre a série de
documentos que envolvem políticos e personalidades ao redor do planeta.
O ICIJ, com apoio do jornal
alemão Süddeutsche Zeitung, teve acesso a 11,5 milhões de documentos ligados ao
escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. Os milhões de documentos
vazados foram esmiuçados por mais de 370 jornalistas de 76 países. No Brasil,
fazem parte da ICIJ profissionais do portal UOL, do jornal O Estado de S.Paulo
e da emissora Rede TV!.
Os documentos mostraram que a
Mossack Fonseca, que tem escritórios em outros países, é uma das maiores
criadoras de empresas de fachada do mundo. A documentação analisada apontou a
criação de 214 mil empresas offshore ligadas a pessoas em mais de 200 países e
territórios.
As descobertas das investigações
trazidas a público envolvem 140 políticos de mais de 50 países, ligados a
empresas offshore em 21 paraísos fiscais. Nomes de chefes de Estado, ministros
e parlamentares de vários países aparecem no Panamá Papers. As planilhas,
e-mails, faturas e registros corporativos apontam que as fraudes foram
cometidas nos últimos 40 anos.
Dentre os brasileiros citados no
escândalo de offshores em paraísos fiscais, estão nomes como o do presidente da
Câmara, Eduardo Cunha; o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa; o dono da
empreiteira Queiroz Galvão, Carlos de Queiroz Galvão; o Banco BMG; o banqueiro
Carlos Eduardo Schahin; o ex-ministro Edison Lobão; e a construtora Odebrecht.
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