Candidata antissistema é eleita prefeita de Roma
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15:20
Num baque à coalizão de
centro-esquerda do primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, seu Partido
Democrático (PD) acabou derrotado no segundo turno das eleições municipais
pelas candidatas do movimento populista e antissistema Cinco Estrelas (M5S) em
Roma e Turim. As derrotas colocam pressão sobre o chefe do governo, que vê uma
crescente fragmentação na legenda e que apostou seu cargo numa reforma que
reduz os poderes do Senado.
No total, 126 cidades realizaram
eleições. Em Roma, a jovem advogada Virginia Raggi, do M5S, desbancou por 35
pontos percentuais Roberto Giachetti, do PD. O resultado derrubou a sigla na
capital. O partido estava enfraquecido após a saída do prefeito Ignazio Marino
— que caiu em meio a um escândalo de gastos e à desorganização na cidade.
Raggi, advogada de 37 anos, é
vereadora desde 2013. Defensora de políticas de educação e meio ambiente,
prometeu “uma faxina” na capital, destacando o combate à corrupção e aos
privilégios a políticos e empresários. Também ganhou manchetes ao propor
projetos como teleféricos na cidade e impostos a ciganos.
— Agradeço a todos que gastaram
recursos e energia nesta campanha acreditando em uma nova ideia de cidade —
celebrou Raggi, primeira prefeita mulher de Roma e a mais jovem chefe de
governo da capital.
Seus eleitores pensaram da mesma
maneira: celebrando um "sopro de ar fresco" na política local.
— Hoje é um dia muito especial,
finalmente teremos a oportunidade de ter alguém novo que pode mudar as coisas.
Todos os outros falharam, esperamos que eles consigam — disse um aposentado de
72 anos depois de votar no M5S em Roma.
A dor de cabeça para Renzi se
estendeu a Turim. Apesar de ter ficado atrás na maioria das pesquisas, Chiara
Appendino, do M5S, venceu o atual prefeito, Piero Fassino, do PD. Em Nápoles, a
legenda de Renzi não chegou sequer ao segundo turno (o independente de esquerda
Luigi de Magistris se reelegeu).
O PD só escapou do vexame em
Milão, confirmando a vitória de Giuseppe Sala, comissário da mostra universal
Expo 2015, contra o rival de centro-direita Stefano Parisi.
— O resultado deve fazer, talvez,
com que reflitamos sobre nossa natureza política — disse Fassino.
CARGO EM APOSTA
Ameaçado pela ascensão do MS5 e
da direitista Liga Norte, o PD tem tido políticas econômicas contestadas por
aliados como o ministro do Interior, Angelino Alfano — principalmente pela
estagnação na criação de empregos. Para tentar se recuperar, Renzi prometeu
deixar o cargo se for derrotado num referendo de outubro para uma reforma
constitucional que diminuiria o poder do Senado.
— Renzi tem duas possibilidades:
acelerar a reforma ou parar — disse ao GLOBO o jornalista italiano David
Carretta.
Já a sigla fundada pelo
comediante Beppe Grillo em 2009 avança com seu discurso anticorrupção. Em 2013,
o M5S foi o terceiro partido mais apoiado nas legislativas.
— Cada país tem seus populistas,
mas há uma tendência comum (de crescimento) — avaliou Carretta.
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