PT vota no DEM e Rodrigo Maia é eleito presidente da Câmara
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14:54
Em seu discurso de posse, Rodrigo Maia agradeceu emocionado a seus
aliados que ainda ontem o chamavam de golpista: “Sem o apoio da esquerda eu não
teria vencido”. Ele se referia aos votos das bancadas do PT e PCdoB, cuja
postura na eleição da Câmara foi a de votar em Rodrigo Maia para derrotar o
aliado preferencial de Cunha, o deputado Rogério Rosso, do PSD.
Essa lamentável posição de votar
em um dos principais articuladores do golpe institucional, de um partido que é
base do governo golpista de Temer, como a alternativa “menos pior” é a
expressão mais clara do que é a estratégia petista para supostamente “combater
o golpe”. Em todo o período pré-impeachment, as lideranças petistas alardeavam,
da boca pra fora, claro, a palavra de ordem: “Não vai ter golpe, vai ter luta”.
Uma verdadeira farsa com o objetivo de iludir suas bases e tentar não
desmoralizar e manter próximos todos aqueles que, sincera e corretamente, viam
na luta o único caminho possível para barrar o golpe institucional – do qual
Rodrigo Maia foi um dos grandes articuladores na Câmara.
Atualmente, PT e PCdoB ainda
seguem dispostos a manter essa farsa. Isso é demonstrado pelo seu ridículo
chamado a uma greve geral contra o golpe, uma suposta greve da qual não se viu
uma sombra sequer de organização na base. Não há assembleias, não há discussões
com os trabalhadores, não há um pálido esboço de esforço dos sindicatos ligados
à CUT e CTB para mobilizar qualquer coisa de real, que dirá uma greve geral.
Efetivamente, a independência de classe e a mobilização dos trabalhadores com
seus métodos históricos: piquetes, greves, paralisações, cortes de rua e atos
massivos, seriam a única alternativa para frear o golpismo.
Mas a eleição de ontem deixou bem
claro: o que o PT quer é seguir o mesmo caminho que levou ao fortalecimento da
direita golpista, de seguir costurando alianças espúrias com os setores mais
reacionários para tentar, como uma “oposição responsável”, chegar novamente ao
governo desse regime apodrecido e corrupto. O que o PT quer é estar a frente
desse Estado capitalista e ser ele a implementar os ataques contra os
trabalhadores, que hoje é Temer quem aplica porque a burguesia necessita de
“mãos de ferro” nesse momento, e não pode perder tempo com as tentativas do PT
de domesticar os trabalhadores e conciliar interreses inconciliáveis de patrões
e proletários.
PSDB e DEM são linha de frente da
defesa das privatizações e dos maiores ataques aos direitos dos trabalhadores.
O voto do PT em Rodrigo Maia é seu aval para essa política, para o endossamento
dos ataques do governo golpista e das medidas mais duras contra nossos
direitos.
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