Vasco sedia debate sobre racismo no futebol
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13:27
Globo Esporte
Nesta segunda-feira, São Januário foi palco de um debate sobre preconceito no esporte. O Vasco abriu as portas para a divulgação do Relatório da Discriminação Racial do Futebol em 2015, elaborado pelo Observatório da Discriminação Racial do Futebol. Convidados para o evento, o zagueiro Jomar e o armador de basquete Nezinho, atletas do clube, relataram casos que viveram na carreira.
- Já sofri racismo no meu
ex-clube, quando fui substituído. Eram um branco e um negro. Me chamaram de
macaco. Ali fiquei pensando: “Qual palavra vou dar para ele? Deus te abençoe.”
Tomei meu banho tranquilo, e a primeira coisa que fiz foi abraçar a minha mãe,
chorando. Não posso levar essa coisa adiante, tenho que procurar esquecer.
Temos que dar um basta nisso – relatou o zagueiro Jomar.
- Estava disputando a semifinal
do Campeonato Paulista pelo Ribeirão Preto, ainda estava estudando. Tentaram
nos desequilibrar. Chamaram o Alex, hoje no Bauru, de pedreiro, e eu, de
macaquinho e negrinho de merda. Quando acabou o jogo, queria parar de jogar
basquete. Fui pesquisar a história do Vasco e fiquei muito feliz em ver que o
clube que defendo lutou pelos negros e operários em 1924 – contou Nezinho.
Estudo aponta 41 casos de discriminação no esporte brasileiro em 2015
O relatório foi elaborado por
Marcelo Carvalho, presidente do observatório. Além dele, estiveram presentes no
debate o presidente do Vasco, Eurico Miranda, o presidente do conselho
deliberativo, Luis Manuel Fernandes, o diretor jurídico do clube, Maurício
Corrêa da Veiga, e o membro do STJD Felipe Bevilacqua. No estudo, foram
identificados 41 casos de discriminação no Brasil: 37 no futebol e quatro em
outros esportes.
- O caso de racismo é noticiado,
gera repercussão, mas não encontramos informações das punições. Existe lei
contra o racismo, mas não há ninguém preso. O problema existe, mas o que a
gente faz com esse problema? Se não debater, lutar contra isso, vai continuar
existindo. O pior a se fazer é o silêncio – ponderou Marcelo.
Eurico ressaltou a história do
Vasco, lembrando do início do clube no futebol, quando a entidade se recusou a
dispensar jogadores negros e pobres para se filiar à Associação Metropolitana
de Esportes Atléticos (Amea). Corrêa da Veiga chegou a comparar a carta de
resposta cruz-maltina como a “Lei Áurea do esporte brasileiro”.
O presidente do Vasco argumentou
que os casos de racismo no futebol ultrapassam a jurisdição do STJD e devem ser
analisados pelas autoridades. Por outro lado, questionou a questão dos gritos
homofóbicos nos estádios, especialmente nas cobranças de tiros de meta pelos
goleiros.
- Tenho muito medo quando começam
a misturar as coisas, de que comece a derivar. Eu cito esse negócio de chamar
de bicha. Isso nem é brasileiro, começou no México. Aqui no Brasil chamar de
bicha não pode ser ofensa num jogo de futebol. A gente chama de bicha até quem
não é. Negro, não; (discriminação contra) negro é clara, direcionada. Aqui o
convívio é rigorosamente igual. Se tem que dar chibatada, dá no branco e no
negro. Não no sentido daquela história que repreende por ser negro ou branco. A
gente repreende o associado da mesma forma – disse Eurico.
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