MP denuncia Ezequiel Ferreira na Operação Sinal Fechado por lobby e R$ 350 mil em propina
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17:08
REPORTAGEM
Nem tudo é festa na vida do mais
novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, deputado
Ezequiel Ferreira de Sousa. O deputado estadual das hostes do PMDB foi
denunciado na Operação Sinal Fechado pelo Ministério Público do RN por ter
solicitado R$ 350 mil em propina para intermediar a aprovação na Assembleia do
projeto da inspeção veicular no Estado em 2010.
O escândalo fruto da Operação
Sinal Fechado já atingiu os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira,
ambos do PSB, atingindo Ezequiel que assumiu a presidência da AL há pouco mais
de duas semanas.
A denúncia que aponta corrupção passiva
é resultado da delação premiada de George Anderson Olimpio da Silveira, responsável
pelo processo irregular de implantação da inspeção veicular e réu da Operação
Sinal Fechado. Em comunicado oficial o procurador-geral de Justiça, Rinaldo
Reis, comentou o caso: “há mais elementos além desse depoimento de George
Olimpio. Ezequiel Ferreira também foi citado no depoimento de outro envolvido,
Alcides Fernandes”.
Para além da fala do
procurador-geral que assina a denúncia, o MP veio a publico: “os réus
colaboradores elucidaram, com riqueza de detalhes, os meandros da trama narrada
na denúncia, com indicação dos demais autores e partícipes, infrações penais
por eles praticadas, a revelação da estrutura hierárquica e a divisão de
tarefas da organização criminosa”. O texto é assinado pela assessoria de comunicação
do Ministério Público e reforça
De acordo o procurador-geral Ezequiel
Ferreira teria solicitado R$ 350 mil para atuar como defensor do projeto da
inspeção veicular, fazendo lobby pela aprovação do projeto junto aos deputados
da Assembleia Legislativa. O projeto foi implantado nos primeiros meses do
Governo Rorsalba Ciarlini, mas já era discutido deste o Governo Wilma. Aind
aocm poucos meses de funcionamento o funcionamento da inspeção veicular foi
suspenso por irregularidades.
Ainda segundo o procurador-geral
Rinaldo Reis o pedido inicial do deputado Ezequiel Ferreira teria sido de meio
milhão de reais. Dos R$ 500 mil iniciais o valor teria caído para R$ 350 mil
pelo trabalho de lobby junto a Assembleia. R$ 300 mil pagos “no ato” e os R$ 50
mil restantes depois da campanha de 2010. Outros políticos potiguares também
foram citados na delação premiada de George Olimpio, inclusive o senador e
presidente nacional do DEM, José Agripino Maia. O processo contra Agripino foi
enciado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Muitos esclarecimentos carecem
ainda de ser dados pela justiça. Se for comprovado que o deputado Ezequiel
Ferreira recebeu os R$ 350 mil que lhe são atribuídos pela denuncia que pesa
contra o presidente do Legislativo, quais os desdobramentos jurídicos do caso?
Se o dinheiro foi gasto na campanha de 2010 é possível que não tenha sido
declarado na prestação de contas junto ao TRE-RN, geralmente dinheiro de
corrupção não entra na papelada oficial, o que se desdobraria em um novo processo
da alçada eleitoral. O desfecho do processo pode tornar inelegível o deputado
do PMDB ou seu mandato pode ser cassado? Essas são perguntas que pesam no ar. O que é
certo é que o envolvimento de Ezequiel neste processo não é recente como mostra
trecho da reportagem do Jornal de Hoje que segue abaixo.
ENVOLVIMENTO ANTIGO
É importante ressaltar que essa
não é a primeira vez que Ezequiel Ferreira é citado no escândalo da Sinal
Fechado. O parlamentar, que presidiu normalmente a sessão de hoje da
Assembleia, sem saber do teor da coletiva concedida no MPRN, apareceu nos
depoimentos pela primeira vez em maio de 2012. Na época, diante de poucas
provas, Ezequiel apenas desmereceu a citação.
“A fantasia soa absurda, por não
ter eu liderança e força suficientes na Casa para influir, isoladamente, na
decisão de vinte e três outros Deputados, nem poder para leva-los a votar dessa
ou daquela maneira. É mesmo ridículo supor que alguém vá desembolsar tão
vultosa quantia para seduzir um só deputado, entre vinte e quatro, quando esse
único Deputado sabidamente não tinha meios e força para atender ao pretendido”,
acrescentou Ezequiel Ferreira na época.
ARTICULAÇÃO
Apesar de o deputado Ezequiel
Ferreira desmerecer a denuncia e alegar que não teria influência na casa para
articular uma votação, o que se percebe é uma forte influência do deputado
junto a seus pares.
Em fevereiro desse ano o deputado
Ezequiel Ferreira foi o responsável por uma grande articulação que resultou na
sua eleição a Presidência da Assembleia Legislativa compondo uma chapa única e
vencendo de forma unanime. O deputado que na eleição de 2014 apoiou Henrique
Alves do PMDB ao Governo do Estado teve votos de deputados do bloco de apoio ao
governador eleito Robinson Faria do PSD. O poder de articulação do deputado é
testado e comprovado.
O desfecho do processo da
Operação Sinal Fechado é aguardado pela sociedade que tem assistido recentemente
muitos casos de omissão da justiça que resultam na não punição de culpados. Se
o deputado Ezequiel Ferreira for condenado, espera-se que a pena seja cumprida.
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