Metade dos votos pró-terceirização veio da bancada dos ‘patrões’
Postado por
Unknown
às
00:44
A aprovação do Projeto de Lei
4330 na Câmara, que trata da terceirização de todas as tarefas de uma empresa,
contou com o significativo peso da “bancada patronal”, formada por deputados
federais que são proprietários de estabelecimentos comerciais, industriais, de
prestação de serviço ou do segmento rural e tem como pauta a defesa do chamado
setor produtivo.
Dos 324 votos a favor do PL-4330,
164 (50%) vieram de parlamentares do bloco empresarial da Câmara. O
levantamento de CartaCapital tem como base um estudo feito pelo Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), após as eleições de 2014. A
entidade fez uma radiografia do Congresso e concluiu que a maior bancada é a
patronal, formada por 221 deputados.
A votação do projeto de
terceirização mostrou que esses 'patrões', identificados a partir de suas
atividades profissionais, econômicas e das declarações de bens, tenderam a
votar em peso a favor do projeto que, aos olhos de muitos observadores, retira
direitos dos trabalhadores. Dos 221 integrantes da bancada empresarial, 189
participaram da votação do PL-4330. Cerca de 86% deles (164) foram favoráveis
ao texto. Os outros 25 integrantes do bloco (14%) optaram pelo ‘não’. No geral,
contribuíram com apenas 19% dos votos contrários ao projeto, ante os 50% dos
votos pró-terceirização entre o empresariado.
Um dos nomes mais expressivos da
bancada empresarial que garantiu a aprovação do projeto de lei é o do deputado
Alfredo Kaefer (PSDB-PR), o parlamentar mais rico da Câmara na atual
legislatura. Kaefer é dono de um patrimônio de 108,5 milhões de reais, segundo
a declaração de bens divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O tucano
tem ações e cotas em empresas de seguro, previdência privada, jornais e até o
frigorífico Diplomata. Segundo uma reportagem da revista Exame, esta última
empresa do parlamentar ficou sem pagar Fundo de Garantia, 13º e, inclusive,
salários para seus trabalhadores em 2013.
Na Bahia, um dos deputados que
votou no projeto de lei e pode ser beneficiado direto da nova legislação é o
deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Com mais de 7 milhões de reais em bens, o
parlamentar atua principalmente no ramo da agricultura. Ele tem participação em
dezenas de fazendas no seu estado natal, além de cotas em uma empresa do setor
imobiliário e num posto de gasolina.
Também empresário do campo, no
ramo da monocultura, o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS) é um favoráveis à
terceirização. Investigado na Operação Lava Jato, o parlamentar possui quase 8
milhões de reais de patrimônio, constituído basicamente de propriedades no
município de São Borja, cidade localizada a quase 600 quilômetros de Porto
Alegre, no Rio Grande do Sul.
Outro tucano que aparece na lista
é o deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO). O parlamentar tem um patrimônio de,
pelo menos, 4 milhões de reais. Entre os bens está contabilizado a participação
em cinco empresas diferentes. Além disso, o político é genro de Marcelo
Limírio, fundador da NeoQuímica, e teria tido participação direta no
crescimento da indústria nos últimos anos.
SINDICALISTAS DERROTADOS
A vitória da terceirização na
Câmara também revela a fragilidade da bancada sindical na Casa. Nas eleições de
2014, esse bloco sofreu um duro revés, caindo de 83 deputados federais para 51,
de acordo com dados do Diap.
Na votação do PL 4330, os
sindicalistas votaram majoritariamente contra o projeto: 37 dos 44
parlamentares presentes (72,5%) rejeitaram o texto, enquanto 7 (15,9%) votaram
a favor dele, sendo três do PSDB, Delegado Waldir (GO), João Campos (GO) e
Rogério Marinho (RN); dois do PDT, André Figueiredo (CE) e Giovani Cherini
(RS); e dois do Solidariedade, Augusto Carvalho (DF) e Paulo Pereira da Silva (SP).
Fonte: Carta Capital
Categorias:
Política
