Desnorteada com o discurso do Papa Francisco na Bolívia, mídia foca em crucifixo
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Unknown
às
20:08
Blog Vi O Mundo - Luiz Carlos
Azenha
O Papa Francisco fez um discurso
anticapitalista ontem na Bolívia, referindo-se ao sistema econômico como
“ditadura sutil”. Foi no Segundo Encontro Mundial de Movimentos Populares, em
Santa Cruz de la Sierra.
“A distribuição justa dos frutos
da terra e do trabalho humano não é mera filantropia. É um dever moral”,
afirmou.
Também disse que a concentração
da mídia é instrumento de “colonialismo ideológico”, pois “a concentração
monopólica dos meios de comunicação social pretende impor pautas alienantes de
consumo e certa uniformidade cultural”.
O papa pregou “mudança de
estruturas” e disse que mesmo entre a elite econômica que se beneficia do
sistema “muitos esperam uma mudança que os libere dessa tristeza individualista
que os escraviza”.
Para João Pedro Stélide, líder do
Movimento dos Sem Terra, que estava presente, o discurso do papa foi
“irretocável”, ao atacar a busca do lucro sem considerações sociais e
ecológicas como um dos grandes problemas da atualidade.
O colunismo brasileiro preferiu
focar no presente inusitado que o presidente da Bolívia, Evo Morales, deu a
Francisco: um Cristo crucificado em foice e martelo.
Na Folha, Igor Gielow chamou de
“aberração” sem explicar a origem do presente. É a reprodução de uma escultura
do sacerdote espanhol Luis Espinal, que tinha ligação com movimentos sociais
bolivianos e foi assassinado por paramilitares em 1980.
Fez parte da programação do papa
em solo boliviano uma homenagem a Espinal, que era jesuíta como o atual
pontífice. A “aberração” a que se referiu o colunista da Folha demonstra o
quanto ele desconhece a História dos jesuítas no período colonial.
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