FHC eleva o tom contra Dilma em meio às disputas internas tucanas
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11:51
Mais do que a insatisfação
popular contra o governo Dilma, demonstrado na menor taxa de popularidade de um
presidente na história, as manifestações de 16 de agosto trazem também uma
disputa dentro do principal partido que representa a oposição ao PT, outro
pilar do regime político do país desde o fim da ditadura militar, o PSDB.
Dividido entre prestar apoio às
manifestações, para manter sua base eleitoral e não se ver prejudicado em
futuras eleições – principalmente no reduto paulista, mas sem uma estratégia
unificada dentro do próprio partido sobre como aproveitar o espaço político
aberto pela crise do PT e do governo, o PSDB vem ensaiando movimentos ora mais
ofensivos, elevando aqui e ali o tom das críticas, ora mais afastado e freando
movimentos que possam desestabilizar o conjunto da dinâmica política do país e
dificultar a aplicação dos ajustes econômicos.
Para ser uma alternativa e
hegemonizar o fim do ciclo PTista, o PSDB precisaria primeiro alinhar os
interesses das distintas alas do conservadorismo que se amontoam sob sua
bandeira. A participação tucana nessas manifestações, porém, demonstram o
inverso disso. Tanto Aécio quanto Serra decidiram participar dos protestos
junto de suas bases eleitorais, o primeiro em São Paulo e o segundo em Belo
Horizonte.
Aécio, a expressão mais popular
do PSDB após as eleições de 2014, mas também parte da sua bancada parlamentar,
esta mais propensa a dialogar com as movimentações das redes sociais, chegando
a tomar às vezes medidas mais ofensivas contra o governo que vão contra a
história do próprio partido, como a votação contra o fator previdenciário, que
foi um ataque às aposentadorias costurado e aprovado pelo governo do FHC e
mantido pelo governo Lula e Dilma, do PT, contra os trabalhadores.
Ao mesmo tempo, Fernando Henrique
Cardoso, que vinha se mantendo mais cauteloso nos tons das críticas ao governo,
subiu o tom nessa segunda-feira, e postou em sua conta de facebook uma sugestão
de renúncia à presidente “Se a própria Presidente não for capaz do gesto de
grandeza - renúncia ou a voz franca de que errou, e sabe apontar os caminhos da
recuperação nacional -, assistiremos à desarticulação crescente do governo e do
Congresso, a golpes de Lava Jato. Até que algum líder com força moral diga,
como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: você pensa
que é presidente, mas já não é mais”.
Todo esse jogo político é parte
da divisão interna de preparação para as eleições de 2016 e 2018. Conforme a
avaliação de Sérgio Fausto, superintendente executivo do Instituto FHC (o
equivalente tucano do “Instituto Lula”), sobre o obstáculo da fragmentação do
PSDB, existe “a sobreposição de uma clivagem que é orientada por legitimas
ambições pessoais, com pelos menos três grandes figuras (José Serra, Geraldo
Alckmin e Aécio Neves)”.
No dia seguinte das
manifestações, aliados de Geraldo Alckmin, que vem mantendo uma distância
segura da defesa de algum processo que retire a presidente e o vice, Michel
Temer (PMDB), pois pretende disputar internamente no partido a indicação de
candidato a presidente em 2018, avaliaram com preocupação a presença de Aécio
Neves nas manifestações do dia 16 de agosto, preocupado se este poderia estar
ganhando a dianteira na disputa interna no partido. A localização de Aécio, bem
conhecido do eleitorado graças as últimas eleições, permitiriam o mineiro se
posicionar melhor do que Alckmin com a base social tucana presente nas
manifestações. Os interesses de Alckmin e Aécio, divergem, quanto mais rápida a
saída de Dilma melhor para Aécio, quanto mais demorada melhor para Alckmin se
preparar para ganhar o PSDB debaixo de sua candidatura.
No meio da confusão interna
dentro do partido que mais poderia cristalizar e hegemonizar eleitoralmente
pela direita, figuras reacionárias como Bolsonaro e Cunha terminam se
fortalecendo por expressar, sem nenhum compromisso nem responsabilidade
(segundo argumentos dos grandes empresários e do Globo), os anseios ideológicos
mais atrasados dos setores da pequena burguesia e da classe média branca que
participam desses protestos.
Ao mesmo tempo, essa dificuldade
da direita em hegemonizar, mantém por mais tempo aberto o espaço vazio da crise
do lulo-petismo. É necessário que a esquerda classista, anti-governista e
anti-burocrática apareça como uma terceira via frente a crise do PT e a
confusão do PSDB.
Medidas como a construção de um
pólo sindical que atue em solidariedade às lutas operárias e greves em curso e
movimente os sindicatos ligados à esquerda, como a CSP-Conlutas e a
Intersindical, e se dirija aos trabalhadores da base das centrais sindicais
governistas e pelegas. Para isto é fundamental a ruptura do PSOL com o ato do
dia 20/08, em defesa do governo Dilma, e o posicionamento público dos
parlamentares ligados ao PSOL à serviço da construção de um terceiro ato contra
os ajustes, contra o governo Dilma e a direita. Estes são passos que o
Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e o Esquerda Diário vem
insistindo para que a crise do PTismo seja canalizada para a esquerda.
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