MST lança nota sobre o atual momento político e a Reforma Agrária
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13:34
A crise política iniciada após a reeleição de Dilma Rousseff
e a ofensiva da oposição e dos setores mais conservadores do país, recolocaram
algumas advertências na ordem do dia.
Diante da conjuntura política nacional e internacional, uma
de suas principais advertências consiste em alertar sobre a importância de não
resumir a luta política à luta eleitoral e de não sucumbir às armadilhas da
política tradicional.
Posto isso, o Movimento lança sua posição oficial diante da
atual crise política e a situação atual da Reforma Agrária no país.
Além de denunciar as perseguições, os assassinatos e a
criminalização dos movimentos populares na cidade e no campo e criticar o
ajuste fiscal que atinge de maneira massiva a classe trabalhadora, o Movimento
exige do governo federal o assentamento prioritário de todas as 120 mil
famílias acampadas (algumas há mais de dez anos), um Plano Nacional de Produção
de Alimentos Saudáveis e a implantação do Programa Nacional de Agroecologia,
aprovado em 2012 e até hoje parado.
POSIÇÃO DO MST FRENTE
À CONJUNTURA POLÍTICA E A SITUAÇÃO DA REFORMA AGRÁRIA
1. A sociedade brasileira tem construído a democracia nas
contradições da luta de classes. Ainda temos muito que avançar, mas não
permitiremos nenhum retrocesso nos direitos conquistados na luta do nosso povo.
2. Nos somamos à construção da FRENTE BRASIL POPULAR, e a
todas as iniciativas de lutas da classe trabalhadora brasileira, em defesa de
seus direitos e das causas nacionais, como a mobilização prevista para dias 2 e
3 de outubro, em defesa de mudanças na politica econômica e na disputa do
petróleo, para o povo brasileiro. Frente aos projetos de privatizar a Petrobrás
e entregar o pré-sal, rompendo a legislação de partilha e dos royalties para
educação.
3. Reconhecemos a existência de uma crise econômica mundial,
mas não admitimos que as trabalhadoras e os trabalhadores paguem essa conta.
Somos contra o ajuste fiscal e consideramos que o governo Dilma está
implementando medidas de ajuste neoliberal, que ferem direitos dos
trabalhadores e cortam investimentos sociais. Manifestamos nosso total
desacordo com a atual política econômica. E exigimos que, no mínimo, a
presidente implemente o programa que a elegeu.
4. O programa de Reforma Agrária, que já estava debilitado,
sofreu um agressivo corte de 64% no Orçamento do MDA (Ministério do
Desenvolvimento Agrário) e do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária). Além disso, estes órgãos estão sofrendo ameaças de
fechamento.
5. Repudiamos a suspensão por parte do centro do Governo,
cedendo a pressão dos ruralistas, da Instrução Normativa n.83, que estabelecia
regras para acelerar processos de Obtenção de Terras, principalmente das áreas
com trabalho escravo.
6. Exigimos que o Governo Federal, implemente os
compromissos assumidos pela Presidenta Dilma, em audiência com a coordenação
nacional do MST realizada em dezembro de 2014, que acordou:
a) Assentar prioritariamente todas as 120 mil famílias
acampadas (algumas há mais de dez anos). Apresentar um plano de metas;
b) Desenvolver de forma emergencial um projeto de
desenvolvimento dos assentamentos, garantindo a infraestrutura necessária;
c) Implantar o Programa de Agroindústria para os
assentamentos;
d) Ter um Plano Nacional de Produção de Alimentos Saudáveis.
Implantar o Programa Nacional de Agroecologia, aprovado em 2012 e até hoje
parado;
e) Garantir a liberação de créditos para as famílias
assentadas, como um direito fundamental para o desenvolvimento da produção de
alimentos, especialmente às mulheres, garantindo sua autonomia econômica;
f) Liberar e ampliar os recursos necessários para o Programa
de Aquisição de Alimentos - PAA e fortalecer a Política Nacional de Alimentação
Escolar - PNAE;
g) Assegurar que todas as famílias assentadas tenham
Assistência Técnica. Garantir a gestão e o funcionamento da ANATER (Agência
Nacional de Assistência Técnica Rural) junto aos órgãos executivos da
Agricultura Familiar;
h) Garantia de recursos para projetos de habitação do campo,
e em especial as 120 mil famílias assentadas que não possuem casas;
i) Liberar recursos necessários para as escolas do campo, e
em especial aos projetos do PRONERA (Programa Nacional de Educação na Reforma
Agrária).
7. Denunciamos as perseguições, os assassinatos e a
criminalização dos movimentos populares. Lutar não é crime! Repudiamos o
massacre orquestrado pelo Agronegócio e pelas forças conservadoras contra os
povos indígenas, especialmente o povo Guarani – Kaiowá. Exigimos o veto da lei
anti terror proposta pelo poder executivo , aprovada pelo Congresso Nacional.
8. Seguimos em luta permanente na defesa da Reforma Agrária
e pela garantia dos direitos de toda nossa base social. Assumimos o compromisso
da mobilização unitária no campo brasileiro, com todas as Organizações e
Movimentos impactados pelo Agronegócio e pela Mineração.
9. A conjuntura atual da luta de classes nos convoca à Luta
Política, articulada às nossas bandeiras específicas. As mudanças estruturais e
a pressão pela realização das Reformas Populares e estruturantes como a Reforma
Agrária, a Reforma Urbana, a Reforma Política, a Democratização dos Meios de
Comunicação, a Reforma Universitária, passam por um amplo processo de
mobilização social e de fortalecimento das alianças com a classe trabalhadora
do campo e da cidade. Seguimos na luta!
São Paulo, 11 de
setembro de 2015.
Direção Nacional do MST
Categorias:
Política
