MTST planeja ocupações e atos contra cortes no Minha Casa, Minha Vida
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22:01
Folha S. Paulo
O MTST (Movimento dos
Trabalhadores Sem-Teto) promete atos contra o corte nos gastos sociais
anunciado pelo governo federal nesta segunda-feira (14), disse o líder do
grupo, Guilherme Boulos. "O governo quer acabar com a crise econômica, mas
vai aprofundar a crise social", afirmou o professor, que também é
colunista da Folha.
Segundo Boulos, os atos em
repúdio ao anúncio do governo devem ocorrer na próxima semana, mas ainda não
têm os detalhes definidos. Ele diz, ainda, que os cortes no programa Minha
Casa, Minha Vida devem aumentar a pressão do grupo sobre o Executivo federal:
"A única saída das famílias vai ser fazer ocupações", afirma.
"É inaceitável a postura do
governo, que busca aliviar a crise fiscal com crise social", disse Boulos.
Segundo ele, o ajuste precisaria ser feito "no andar de cima", com
medidas como a taxação de grandes fortunas, por exemplo, e não com o prejuízo
de programas de habitação. "Isso vai causar uma convulsão social", completou.
Como nos últimos atos do MTST, é
provável que haja a participação de outros grupos com pautas similares, de
acordo com Boulos. Isso, no entanto, ainda não está definido.
Desde o início do ano o grupo
realiza atos contra o ajuste fiscal, apesar de apoiar o governo Dilma Rousseff.
Em março, o MTST promoveu manifestações em diversas capitais pedindo o
lançamento da terceira fase do Minha Casa, Minha Vida, que tem como cerne a
diminuição do deficit habitacional —principal bandeira do grupo— e foi
prometido para junho do ano passado.
Em agosto, o MTST foi às ruas
junto com a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e a UNE (União Nacional dos
Estudantes) em parte para defender Dilma e fazer um contraponto às
manifestações que pediram a saída da petista da Presidência da República
—chamando os que pediam a destituição de "golpistas". À época, Boulos
disse à Folha que, nem por isso, era um ato exclusivamente em defesa dela:
"Não temos problema em ajustar as contas, o problema é no lombo de quem
ajustá-las".
O manifesto divulgado pelas
entidades antes dos atos defendia mudanças na política econômica do governo:
"A política econômica do governo joga a conta nas costas do povo. Ao invés
de atacar direitos trabalhistas, cortar investimentos sociais e aumentar os
juros, defendemos que o governo ajuste as contas em cima dos mais ricos, com
taxação das grandes fortunas, dividendos e remessas de lucro, além de uma
auditoria da dívida pública".
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