Dilma tenta impedir julgamento de contas que pode levar ao impeachment
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14:57
Por Fernanda Peluci – Esquerda Diário
O Tribunal de Contas da União
(TCU) decidiu manter o julgamento das contas do governo Dilma Rousseff para a
próxima quarta-feira, às 17h. O anúncio foi feito na noite de hoje, dia 5, após
reunião a portas fechadas entre seis ministros. "A sessão está mantida",
informou o relator do processo na corte, ministro Augusto Nardes, alvo de um
pedido de afastamento apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU).
Após a reforma ministerial e
sentindo um certo fortalecimento no governo, o planalto se aventurou a fazer
manobras para tentar barrar o principal motor do que poderia provocar o
processo de impeachment: o julgamento das contas (e as “pedaladas fiscais”) de
Dilma por parte do TCU.
Nesse sentido, o Advogado-Geral
da União (AGU), Luis Inácio Adams, fez uma comparação entre Augusto Nardes
(relator no TCU), e o juiz Sérgio Moro, que julga na primeira instância as
investigações da Operação Lava Jato. "O tribunal é instância técnica,
tenho defendido isso. Esse dirigismo que está na condução do relator não é
permitido. Por que o juiz não pode falar com meios de comunicação sobre
processos que conduz? Porque reduz a parcialidade. Vamos usar o exemplo do juiz
Moro, que só fala nos autos", disse Adams.
O ministro da AGU esperava que o
Tribunal de Contas afastasse Nardes do caso e escolhesse um novo relator para o
processo de análise das contas de 2014, porém, o TCU manteve o julgamento para
esta quarta-feira.
O motivo do pedido do afastamento
foi porque na última sexta-feira Nardes supostamente teria liberado o parecer
prévio de seu voto, que recomenda a rejeição das contas do governo por causa de
distorções como as "pedaladas fiscais". Também o Ministério Público
de Contas (MPC) fechou parecer pela reprovação das contas federais. Nardes nega
que tenha cometido infração.
Antes mesmo da decisão do TCU em
manter o julgamento, Adams afirmou ainda que "recorrer a instâncias
superiores da justiça é algo previsto", abrindo fortes indícios de que o
governo está disposto a tudo para seguir blindando Dilma das acusações sobre
irregularidades apontadas nas contas da União e evitar aprofundar as ações que
possam desencadear o impeachment.
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