Nos EUA, aluguel alto leva jovens a morarem em contêineres
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Unknown
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14:32
The New York Times - Sarah Maslin
Nir
Neste verão americano, o aluguel
médio de um apartamento de um quarto em San Francisco subiu mais do que em
Manhattan, impulsionado por um déficit habitacional alimentado em parte pela
chegada de levas de pessoas que vêm minar o ouro da tecnologia.
E assim, como sempre acontece com
essas cidades, as pessoas que não conseguem arcar com o aluguel são obrigadas a
sair da cidade -- em Nova York, para o Brooklyn e cada vez mais para o Queens.
Para os moradores de San Francisco, o refúgio é em Oakland, onde os preços
também estão subindo. Tanto é assim que os jovens profissionais estão morando
em contêineres reaproveitados, enquanto os sem-teto estão arrastando caixas
para dormir sobre rodas.
Estas duas possibilidades de
alojamento improvisadas surgiram em um bolsão industrial de Oakland, onde o
aluguel médio subiu 20% em relação ao ano passado. Um desses projetos, em um
armazém, é chamado de Containertopia, uma comunidade de jovens que criaram uma
aldeia de contêineres de 15 metros quadrados, como os usados no porto de
Oakland. Cada morador paga US$ 600 por mês (em torno de R$ 2.400) para viver em
um recipiente que pode ser modificado com adicionais como isolamento, portas de
vidro, tomadas elétricas, painéis solares e um banheiro independente.
O Containertopia foi criado no
ano passado por Luke Iseman, 32, e Heather Stewart, 30, que eram casados. Para
Iseman, que se formou na Universidade da Pensilvânia e trabalha com tecnologia
-- mais recentemente, desenvolvendo sistemas automatizados para regar as
plantas --, a vida no contêiner tem sido uma experiência de simplificação, que
ele espera ensinar a outros.
"Se nós conseguimos em um
dos lugares de maior custo do mundo", disse ele, "as pessoas podem
fazer isso em qualquer lugar".
Bem na porta do armazém há outra
comunidade que também mora em recipientes. Nela, os sem-teto moram em abrigos
fabricados por um artista local chamado Gregory Kloehn, montados sobre rodas e
feitos para as ruas. Cada um tem cerca de 2,5 metros de comprimento e a altura
suficiente para uma pessoa se sentar.
"A estrutura não se encaixa
em nossa mentalidade do que é uma casa", disse Kloehn, 44 anos, que
começou a criar e oferecer as casas portáteis feitas de material reciclado em
2011. Oakland tem ao redor de 3.000 pessoas desabrigadas, de acordo com o
projeto East Oakland Community Project, uma organização sem fins lucrativos que
ajuda a abrigar as pessoas que vivem na rua; San Francisco tem aproximadamente
6.700.
Kloehn fez cerca de 40 caixas
sobre rodas alegremente pintadas, persuadindo as pessoas a deixar papelão e
lona nas ruas.
"Dentro desta cidade, com
todo o seu dinheiro, há outra camada: esses povos nômades que vivem do nosso
lixo", disse ele.
Stewart e Iseman montaram o
Containertopia inicialmente em um terreno baldio da região, que eles compraram
por US$ 425.000 com vários amigos. Eles foram forçados a sair na primavera
deste ano, depois que os vizinhos reclamaram. (O zoneamento da área não permite
residências; por enquanto, os proprietários estão cultivando uma horta lá,
enquanto decidem o que fazer com o terreno.)
Em seguida, com 12 amigos e uma
empilhadeira, Iseman e Stewart transferiram as casas de contêineres para um
armazém fechado. Para serem habitáveis, os contêineres de Iseman, pintados de
azul por dentro, precisam de um investimento de cerca de US$ 12.000, para uma
cama tipo loft e uma janela cortada em uma lateral. Stewart ainda está
trabalhando no contêiner dela, usando drywall e esculpindo uma bancada de
cozinha a partir de uma tábua que ela extraiu de um tronco gigante.
A mudança de uma casa para um
contêiner forçou-os a reavaliarem quase todas as suas prioridades. Stewart deixou
o emprego em design digital para gerenciar o Containertopia e vendeu a maior
parte de suas posses.
"Eu posso trabalhar em um
escritório e pagar meu aluguel todos os meses e ficar estressada por não
conseguir fazer qualquer outra coisa, ou eu posso viver em um armazém
ridículo", disse ela. "A escolha é óbvia."
Kloehn, o artista, é mais
conhecido por seu próprio lar, uma lixeira que virou um estúdio no lote de um
coletivo de artes em Brooklyn, onde ele passa parte do ano. Sua outra casa é um
estúdio em Oakland, no mesmo bairro industrial do Containertopia.
Anos atrás, Kloehn ficou
fascinado com a forma como as pessoas sem-teto se apropriavam dos poucos
recursos que tinham -- ou seja, o lixo de outras pessoas -- para fazer abrigos.
Ele decidiu fazer o mesmo, criando pequenas habitações com remendos e a
habilidade de um artista.
"Eu só estou aproveitando
uma lição dos sem-teto", disse ele. "Eles fazem casas deste tipo de
material há anos."
A uma quadra do estúdio de
Kloehn, ao virar a esquina do Containertopia, encontramos uma de suas casas
para os desabrigados, vivamente colorida com uma pintura trompe l'oeil que faz
com que pareça uma microcasa suburbana.
"Esta casa é uma
bênção", disse a mulher que mora nela. Ela se recusou a dar seu nome
porque disse que tinha vergonha de morar nas ruas, pois já teve um emprego
estável e uma casa de verdade.
Ela acrescentou: "Esta é a
minha maneira de tentar voltar a ser o que eu era."
Tradutor: Deborah Weinberg
Categorias:
Internacional
