O avanço da ditadura civil brasileira
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às
11:47
Por Roberto Malvezzi*
Correio
da Cidadania
Em conversa com assessores
políticos de várias entidades importantes em nível nacional – em Brasília –
perguntávamos qual a chance de uma nova ditadura militar diante da chamada
crise política brasileira.
Segundo um deles, em conversa com
pessoas do Exército, também ex-ministros da defesa, o Exército teria criado
mecanismos internos para não permitir mais aventuras pessoais de seus membros
em tempos obscuros como esse. Portanto, nesse momento as chances de um golpe
militar não existiriam.
Entretanto, ressaltou: “não é
necessária a ditadura militar. O que pode avançar no Brasil é a ditadura
civil”.
Nos movimentos sociais costuma-se
dizer que a ditadura de 1964 foi “civil-militar”, dado o peso que os
empresários brasileiros e a mídia tradicional tiveram, juntamente com as forças
externas, sobretudo, o papel da CIA no golpe.
Talvez hoje essa possibilidade
esteja ficando mais clara. Alguns sinais políticos a indicam.
A população que elegeu o atual
governo foi de 54,5 milhões de brasileiros. Mas um grupo de parlamentares pensa
passar por cima da vontade de milhões de brasileiros e impor sua vontade
política pelo impedimento da atual presidente.
O TCU, que aprovou as “pedaladas
fiscais” de FHC, agora reprovou as pedaladas fiscais do atual governo. Os fatos
são os mesmos, a legislação é a mesma, mas as decisões são diferenciadas.
Portanto, ou o TCU errou com FHC, ou está errando agora com Dilma.
O TSE reabriu investigações sobre
as contas de campanha de Dilma. Só dela, embora PMDB, PSDB e PT tenham recebido
2/3 de seus financiamentos exatamente das mesmas empreiteiras.
Outro mote é o pagamento de
impostos. Quem reclama são os empresários – que os repassam para o preço dos
seus produtos – e a classe média tradicional. O povo brasileiro não reclama do
pagamento de impostos. Qualquer pessoa simples sabe que eles são necessários
para sustentar os serviços públicos.
O que se reclama é da qualidade
dos serviços – saúde, educação, limpeza pública, programa habitacional,
saneamento -, ou então da destinação de grande parte dos impostos para bancar a
especulação financeira dos que ganham com dívida pública.
Portanto, o povo não faz coro com
essa histeria empresarial que está inclusive em comerciais de TV.
Outro indicativo é a agressão –
Mantega, Padilha, Instituto Lula, João Pedro Stédile, etc. – que revela a alma
intolerante e fascista daqueles que não sabem viver fora do poder. Sentem-se
impunes, protegidos e até como cumpridores de seus deveres cívicos.
O mais nefando aconteceu no
velório de Eduardo Dutra, com o panfleto “petista bom é petista morto”. Esse
pessoal vem com sangue nos olhos e cuspindo ódio.
A mesma parcela da mídia
tradicional que sustentou os golpes anteriores, todos os dias noticia em letras
garrafais fatos, suspeitas e insinuações, desde que sejam contra o governo
atual. Passam-se os anos, a cobra muda de casca, mas não perde veneno.
Por fim, Aécio já disse que todos
esses fatos não indicam golpe, já que as instituições democráticas estão agindo
plenamente. É verdade – e é um elogio a atual presidenta -, mas é preciso não
esquecer que, segundo a Constituição Brasileiro de 1988, “todo poder emana do
povo e em seu nome será exercido”, e não das instituições. Portanto, elas estão
ai para garantir a decisão popular e não para golpeá-la.
Todas essas manobras para
entregar o Brasil nas mãos de Eduardo Cunha, o íntegro. Mas, depois, se o golpe
se consumar, ele será atirado no lixo da história por seus próprios comparsas.
Quem no Brasil acha que as
ditaduras vêm somente pelos militares, é bom desconfiar dos ditadores civis.
Roberto Malvezzi (Gogó) possui
formação em Filosofia, Teologia e Estudos Sociais. Atua na Equipe CPP/CPT do
São Francisco.
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