PSOL propõe auxílio moradia para estudantes da UFERSA-Angicos
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23:49
Ajuste Fiscal ameaça funcionamento das universidades
O Brasil atravessa uma grave
crise e já contabiliza quase 9 milhões de desempregados, segundo recente pesquisa do IBGE a taxa de
desemprego chegou a 8,6% neste semestre. O crescimento da inflação e o aumento
dos juros registram crescimento no custo de vida e do endividamento dos
brasileiros com dívidas em bancos, financeiras e cartões de crédito. Desemprego,
inflação e juros altos são os elementos mais alarmantes da crise que precisa
ser combatida com rapidez.
O Governo Dilma optou por combater
a crise aplicando um Ajuste Fiscal que aperta o sinto das famílias dos
trabalhadores e cobra a dívida do andar de baixo da pirâmide social brasileira.
Nenhuma ação se materializa contra os lucros abusivos dos bancos e nada é
mencionado sobre a taxação das grandes fortunas. Enquanto isso, o brasileiro comum paga mais
caro pelo alimento, pela água, pela energia e gasolina. Os setores médios sentem
o peso da crise e a insatisfação com a situação nacional atravessa todo o
espectro da sociedade.
O Ajuste Fiscal do Governo Dilma
fez muitas vítimas, dentre elas a educação publica. Os cortes que foram
reajustados somam R$ 12 bilhões que serão retirados da educação e comprometerão
o funcionamento regular das universidades federais. O movimento docente e a comunidade acadêmica respondeu
a incúria do Governo com uma forte greve que atingiu mais de 46 universidades
federais e somou mais de quatro meses em uma das maiores greves da história do
ensino superior. O anúncio do fim da greve ocorreu recentemente, mas muitas universidades
não conseguirão quitar o salário de trabalhadores terceirizados e pagar contas
básicas como a de energia.
A UFERSA e crise em Angicos
A cidade de Angicos (RN), que
recebeu em 2009 a instalação da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA),
viveu nos últimos anos um período de efervescência econômica e aceleração acentuada
do desenvolvimento da construção civil e do comércio. O grande ingresso de
estudantes na universidade e na cidade impôs uma nova dinâmica socioeconômica para
a cidade que cresceu como polo-universitário.
O ciclo de crescimento econômico local
sofreu um interregno nos últimos quatro meses com a paralisação das atividades
na UFERSA. A greve chega ao fim, mas os problemas da universidade se alargam e
afetarão a cidade inevitavelmente. O corte de recursos da educação é responsável
pelo atrasado e paralisação de obras. Na UFERSA-Angicos a obra de um Bloco de
Laboratório deveria ser entregue até 11 de agosto, mas não foi. A obra do
Restaurante Universitário deveria ter sido entregue em 5 de julho, mas aparentemente
está paralisada. O resultado do corte orçamentário é a demissão de
trabalhadores, atraso em obras e salários.
A volta as aulas na
UFERSA-Angicos ocorrerá na segunda quinzena de outubro, mas o aumento do custo
de vida a as dificuldades para assegurar a permanência longe de casa, levará
estudantes a abandonarem a cidade e adiar o sonho de se formar. Hoje a
universidade fornece um auxilio moradia no valor de R$ 280, mas o alcance do auxilio
é limitado e insuficiente. Não são poucos os estudantes que precisam, mas não
tem acesso. O corte de R$ 12 bilhões
impactará na política de assistência estudantil da UFERSA e bolsas e auxílios serão
reduzidos, acentuando a evasão e o abandono de estudantes de origem popular da
universidade. Evitar os danos sociais e econômicos que se anunciam é tarefa do
poder público que precisa ser pressionado por toda comunidade acadêmica.
Uma proposta: enfrentar a crise com mais direitos
A saída de estudantes da cidade
de Angicos só colocará em declínio o comercio local. O prejuízo que não é só econômico
é social e atingirá toda comunidade local. A universidade, o comércio, o setor
alimentício, os locadores de imóveis e todo e qualquer setor econômico que
gravita em torno da clientela acadêmica. Os danos com a saída dos estudantes
não podem ser medidos com precisão, mas serão significativos se nenhuma medida
objetiva for adotada. Mas, qual a proposta
concreta para enfrentar a crise e amenizar a evasão de estudantes?
Foi pensando nesta questão-problema
que nós que militamos no PSOL em Angicos, laçamos a campanha #EuQueroAuxílio
que pode ser vista AQUI no Youtube. A campanha tem um objetivo muito claro: estimular os
estudantes a lutarem pelo direito a moradia e pressionar o poder público a
instituir o Programa Municipal de Auxilio Moradia para estudantes da
UFERSA-Angicos que não recebem o beneficio da universidade e tem dificuldades
em quitar os alugueis.
Queremos que a Prefeitura
Municipal mande ao Legislativo o projeto que institui o programa e defendemos
que no mínimo 80 bolsas de R$ 150 sejam disponibilizadas pelo poder público. É
lógico que o valor e o número de bolsas poderá ser ampliado, mas este seria o
ponto mínimo de partida. O impacto financeiro nos cofres públicos é irrelevante
para o beneficio a cidade. Apenas R$ 12 mil mensais são suficientes para
garantir o inicio do programa. Os critérios de concessão do beneficio não devém
ser definidos por nenhum burocrata da gestão municipal, mas pactuado entre o
Poder Público e a comunidade acadêmica, em especial os estudantes.
É possível? Como financiar?
A pergunta que muitos devêm
fazer, geralmente são duas. É possível? Como financiar? Algumas cidades do
Brasil já instituíram programas parecidos e em muitos lugares o nome adotado é “Aluguel
Social” que beneficia famílias em situação de vulnerabilidade social ou que foram
vitimas de algum desastre natural como enchentes ou deslizamentos. Do ponto de
vista jurídico a legalidade da instituição de um programa como este é seguro.
Já ressaltei que o impacto financeiro
nos cofre da gestão municipal não é tão significativo, o certo é que neste
momento de crise é preciso ajustar o sinto de quem mais recebe. Se a ausência
de recursos públicos para esse fim for o argumento falacioso usado, propomos a
redução dos salários do prefeito e do vice-prefeito para custear o programa. Na
Região Central houve a redução de 30% do salário da prefeita da cidade de Santana
do Matos para “contingenciar despesas”. O que queremos é redução de altos salários
para custear investimentos sociais que são acima de tudo necessários para
enfrentar a conjuntura de crise.
A proposta foi lançada pelo PSOL,
mas só se materializará em realidade se for abraçada e encampada por todos os
estudantes da UFERSA. Compartilhar o nosso vídeo é importante, lançar novos
vídeos com a hashtag #EuQueroAuxílio, explicando a necessidade da concessão do
beneficio, é ainda mais vital para agitar as redes sociais. Contudo, somente com
uma grande mobilização estudantil será possível colocar o poder público no
canto da parede e garantirmos uma vitória. Neste sentido o DCE-UFERSA e todos
os estudantes poderão cumprir um papel fundamental para assegurar que a crise
que atravessamos só será superada encampando uma luta por mais direitos.
Direitos não são dados de
presente, eles são arrancados.
