TSE reabre ação que pede cassação de Dilma e Temer
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11:19
Desde agosto, quando o julgamento
foi paralisado por um pedido de vista, a Corte já possuía maioria formada para
abrir a apuração. A partir de agora, a Justiça Eleitoral pode colher provas que
entender necessárias sobre o caso.
Com a decisão de reabrir o caso,
Dilma e Temer terão de apresentar defesa a TSE. É a primeira vez que a Corte
abre uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo contra um presidente.
O PSDB quer que o TSE apure
denúncias de abuso econômico e político. O PT ressalta que não houve
irregularidade e que as contas foram aprovadas pelo TSE em dezembro de 2014.
A partir de agora, caberá ao
presidente da Corte, Dias Toffoli, decidir quem irá conduzir a ação, que pode
ser encaminhada ao ministro Gilmar Mendes, que tem feito críticas duras ao
governo e ao suposto recebimento de dinheiro oriundo do esquema de corrupção na
Petrobras para a campanha petista.
Votaram nesta noite os ministros
Luciana Lóssio e Toffoli. Ficaram a favor da abertura da ação no TSE os
ministros Gilmar Mendes, João Otávio de Noronha - que deixou a composição da
Corte na semana passada -, Toffoli, Henrique Neves e Luiz Fux. Apenas as
ministras Maria Thereza de Assis Moura e Luciana Lóssio foram contra a
continuidade das investigações.
Inicialmente, a relatora do caso
era Maria Thereza, que em fevereiro arquivou o caso. Como a ministra ficou
vencida na discussão desta noite, apontou que não deveria seguir na relatoria
do processo.
Pela lógica em vigor no Supremo
Tribunal Federal (STF), o relator seria o primeiro ministro a apresentar o voto
vencedor. No caso, a relatoria seria destinada ao ministro Gilmar Mendes.
Após ter pedido vista da ação do
caso em agosto, a ministra Luciana Lóssio retomou julgamento na Corte nesta
noite com voto contra a abertura das apurações e sugestão de que todos os casos
que questionam a legitimidade da campanha petista de 2014 fiquem sob relatoria
de um único ministro. Pela sugestão, os processos ficariam no gabinete do
ministro Luiz Fux.
O voto da ministra, que suscitou
uma série de questões técnicas, durou cerca de uma hora. A proposta de unir as
quatro ações foi feita por Fux no final de agosto. Toffoli proclamou hoje o
resultado do julgamento de forma breve e disse que caberia a ele, como
presidente, definir o relator.
Pedido de suspensão do julgamento pelo Governo
No fechamento desta edição, a
Advocacia Geral da União (AGU) acabava de recorrer ao Supremo Tribunal Federal
pedindo a suspensão do julgamento das contas do governo Dilma no Tribunal de
Contas da União. O governo alega que, como o tribunal não atendeu até agora ao
pedido de suspeição do relator, pede que o julgamento no TCU seja suspenso até
que haja decisão sobre o caso de Nardes.
Antes mesmo da decisão do TCU em
manter o julgamento, o Advogado Geral da União, Luis Inácio Adams afirmou ainda
que "recorrer a instâncias superiores da justiça é algo previsto",
abrindo fortes indícios de que o governo está disposto a tudo para seguir blindando
Dilma das acusações sobre irregularidades apontadas nas contas da União e
evitar aprofundar as ações que possam desencadear o impeachment.
Jogos nos bastidores para esconder a unidade pelo ajuste
Os debates em torno da reabertura
deste processo de cassação através da análise das contas de Dilma, a pedido do
PSDB, carrega um componente maior de desgaste do governo do PT do que de por em
risco o acordo geral de fortalecer o regime em prol dos ajustes. Tanto assim
que o próprio PMDB de Temer, uma figura com destaque crescente nas negociações
da estabilidade institucional da burguesia e um dos artífices da reforma
ministerial, está envolvido como vice-presidente. Apesar dos planos de Aécio
Neves, nenhuma ala no PSDB considera com seriedade a possibilidade de conformar
um governo sem o PMDB.
Estes três partidos (PT, PSDB e
PMDB), junto aos demais partidos políticos da burguesia, não estão dispostos a
quebrar o pacto de governabilidade em prol dos ajustes contra os trabalhadores.
Embora cada força tenha um jogo próprio que tente avançar seus interesses
fisiológicos e políticos, a base comum destes interesses se liga a descarregar
a crise sobre as costas dos trabalhadores, como os da indústria e das
montadoras, que experimentam processos de demissão no país inteiro, e a reforma
educativa que fechará escolas, política promovida tanto pelo PSDB como pelo PT.
Estão sendo implementados com
grande centralidade pelo governo de Dilma, do PT e com Lula por trás, com uma
agenda econômica absolutamente de direita, assim como seus aliados, como
Guilherme Afif, adorado por Dilma. Para tanto, as centrais sindicais como CUT e
outras estão servindo de braço direito pra conter a luta dos trabalhadores. A
CUT, por exemplo, traiu a greve de correios e a dividiu com a de bancários,
tudo pra defender o governo.
Os jogos de bastidores
continuarão a marcar as capas dos jornais e as movimentações no TSE e nas
demais instituições estatais na medida em que deixem ao PT via livre para
atacar, privatizar, ajustar e arrochar a população.
É preciso construir uma poderosa
esquerda que esteja disposta a não permitir que estes ataques continuem sendo
aplicados pelo governo e as burocracias sindicais e estudantis petistas,
combatendo o governo e a oposição burguesa com os métodos da classe
trabalhadora para que suas lutas triunfem.
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