Ações do MPF visam cassar licenças de rádio e TV de 3 parlamentares do Rio Grande do Norte
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11:49
O senador José Agripino Maia
(DEM) e os deputados federais Felipe Maia (DEM) e Fábio Faria (PSD) estão na
mira do Ministério Público Federal por aparecerem como sócios de emissoras de
rádio e TV no Rio Grande do Norte.
Baseada em dispositivo da
Constituição que proíbe congressistas de firmar ou manter contrato com empresa
concessionária de serviço público [art. 54], a Procuradoria pedirá suspensão
das concessões e condenação que obrigue a União licitar novamente as emissoras.
Se lograr êxito, o MPF pretende impedir que novas outorgas sejam dadas aos
citados.
A iniciativa do MPF é inédita e
tem como alvo cerca de 40 congressistas [32 deputados federais e 8 senadores]
que estão na mesma situação dos parlamentares norte-rio-grandenses.
Gente de peso da política figura
na lista da Procuradoria, informa a Folha de São Paulo neste domingo (22): os
senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Fernando Collor (PTB-AL), Edison Lobão
(PMDB-MA), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).
Entre os deputados federais
surgem nomes como Sarney Filho (PV-MA), Rubens Bueno (PPS-PR), Elcione Barbalho
(PMDB-PA), ex-mulher de Jader, e Rodrigo Castro (PSDB-MG).
Em todos os casos, a Procuradoria
vê claro conflito de interesses, porque cabe ao Congresso apreciar atos de
outorga e de renovação de concessões.
As primeiras ações já foram
protocoladas em SP, e todas as sedes do MPF foram orientadas a fazer os mesmos
questionamentos à Justiça. A iniciativa conta com o aval do procurador-geral
Rodrigo Janot.
Por meio da Frente Parlamentar de
Radiodifusão, os congressistas alegam que a legislação atual permite esse tipo
de participação acionária desde que eles não exerçam funções administrativas
nas empresas.
Ouvido pela Folha, o senador José
Agripino admitiu ser sócio de uma rádio e uma TV em Natal, e de duas rádios em
Mossoró e em Currais Novos. O senador do DEM disse que herdou tudo do pai, o
ex-governador Tarcísio Maia. “Não foram concessões dadas a mim. É uma questão
nova para o Judiciário. Além disso, minha participação é minoritária [ele
divide as emissoras com a mãe e dois irmãos]”.
O Ministério das Comunicações não
comentou a iniciativa do Ministério Público Federal. Mas confirmou a presença
de pelo menos 40 parlamentares na sociedade de 93 emissoras de radiodifusão.
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