Relator do caso Cunha diz estar sob ameaças
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Numa reunião a portas fechadas, o deputado Fausto Pinato
(PRB-SP), relator do caso Cunha no Conselho de Ética da Câmara, informou ter
recebido ameaças. Ele relatou aos colegas duas passagens. Numa, diz ter notado
que pessoas estranhas rondaram sua residência, na cidade de Fernandópolis (SP).
Noutra, seu morotista foi abordado por um desconhecido, na quinta-feira da
semana passada.
Pinato voava de Brasília para São Paulo. Contou que seu
motorista o aguardava no aeroporto quando um homem bateu no vidro do carro.
Desejava mandar “um recado”. Disse ao motorista que avisasse ao seu “patrão”
que “ele tem uma família bonita e deveria cuidar da vida”. O deputado fez
menção a uma terceira “ameaça”. Mas se recusou a dar detalhes, mesmo na reunião
reservada.
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, José Carlos
Araújo (PSD-BA), informou que enviaria um ofício ao ministro José Eduardo
Cardozo (Justiça), pedindo um investigação da Polícia Federal e proteção
policial para o relator, cujo parecer recomenda a continuidade do processo que
pode levar à cassação de Eduardo Cunha. Pinato esclareceu que já está sob
proteção da polícia de São Paulo.
Participaram da reunião, além de Pinato e do presidente do
conselho, os deputados Betinho Gomes (PSDB-PE), Nelson Marchezan Júnior
(PSDB-RS), Valmir Pracidelli (PT-SP) e Alessandro Molon (Rede-RJ). Pinato
deixou nos colegas a impressão de que está tenso, muito preocupado. Recebeu
apoio e palavras de estímulo.
No final da conversa, entrou na sala o deputado Manoel
Júnior (PMDB-PB), um dos integrantes da infantaria de Eduardo Cunha. No final
da tarde, ao saber que Pinato relatara as ameaças, o presidente da Câmara
viu-se compelido a enviar ao ministro da Justiça o pedido de investigação do
caso e de providências para assegurar a integridade de Pinato e da família
dele.
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