PSDB sem Cunha abre diálogo com governo Dilma
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Esquerda Diário
Essa guinada para uma interlocução com o governo acontece concomitante
ao rompimento da bancada tucana com o Presidente da Câmara Eduardo Cunha.
Iniciada a partir da discussão sobre qual seria o aumento da fatia de recursos
do Orçamento que poderia ser remanejado livremente pelo governo – a
Desvinculação de Receitas da União (DRU) –, a cúpula tucana espera que o
partido vote em peso pela manutenção dos vetos da presidente à chamada
pauta-bomba no Congresso.
Esse giro do PSDB em diálogo com o Planalto se combina com a
atual localização que o seu ex-principal aliado se encontra. Cunha, enlameado
até o pescoço com o escândalo de contas na Suiça e sofrendo um rechaço massivo
pelas suas posições reacionárias, é cada vez mais visto com o mesmo
desprestígio do PT e, portanto, menos possível para o PSDB aparecer ligado a sua
figura.
Ao mesmo tempo, com o fim do ano se aproximando se faz ainda
mais urgente para a burguesia a aprovação do pacote de ajustes econômicos e
cortes sociais para amnter sua taxa de lucro em cima da maior exploração do
trabalho. Há um mês e meio, em entrevista para a Folha, Fernando Henrique
Cardoso disse que o PSDB se dividia “entre a sua responsabilidade histórica
frente ao país (leia-se: burguesia do país) e o sentimento momentâneo de que
quem sabe fosse o momento de aumentar as dificuldades do governo.”
Parece que os setores do mercado financeiro e industrial
impuseram ao PSDB sua “responsabilidade histórica” com a burguesia nacional e a
necessidade da estabilidade política no país para a plicação dos ajustes. Ao
mesmo tempo, o alto nível de desgaste do Cunha começa a prejudicar a imagem dos
tucanos que, se distanciando deste, deixam unicamente sobre o colo do governo
Dilma e do PT a contradição de manter um inescrupuloso pacto com figura tão
rechaçada e reacionária na política nacional.
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