A direita é racista
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às
15:08
Por Gutemberg Miranda, que é
graduado em Filosofia pela UFPE e leciona na UFAL.
O conservadorismo na Europa e nos
Estados Unidos sempre esteve atrelado ao racismo e à xenofobia. Ainda hoje, a
extrema direita do primeiro mundo mantém-se atrelada ao imaginário
tradicionalista pautado pela discriminação racial e a intolerância religiosa e
cultural. A extrema direita brasileira sempre encobriu o seu racismo e sua
xenofobia. Dos integralistas aos dias de hoje, os conservadores brasileiros
mascararam seus preconceitos sem conseguir ocultar sua estreita ligação com os
movimentos reacionários liderados pela extrema direita mundial.
Apenas com o governo Lula nós
tivemos a oportunidade de ver o debate em torno das questões raciais fazer
parte do cotidiano político brasileiro. O PSDB nunca discutiu a problemática
racial como questão política, de Estado. O combate ao racismo através de
medidas concretas de inclusão só pôde ser vislumbrado do governo Lula em
diante, assunto sempre negligenciado pelas elites brasileiras. É impressionante
como nos últimos protestos contra o governo Dilma, o que assistimos é um
verdadeiro corte racial na conjuntura política brasileira. O ódio contra a
democracia e contra o governo vem predominantemente dos brancos, o que nos leva
a imaginar uma reorganização da direita a partir do desmascaramento do racismo
das elites.
O povo, as favelas, os negros, os
miseráveis, a juventude universitária não é contra a democracia, nem vem
saudando o advento da direita dos últimos anos. As passeatas contra Dilma não
se misturam com os pobres, não agregam as múltiplas classes, nem as múltiplas
raças. São passeatas de direita, que admitem desfilar em suas fileiras
discursos intolerantes e que fazem apologia ao ódio. Os fascistas caminham
juntos com os neoliberais, e conseguem visibilidade, apoio e simpatia dos
opositores do governo Dilma.
O grande erro do PT foi
despolitizar o Brasil. A grande crise não é econômica, mas ideológica. A
principal autocrítica que o PT deve fazer é ter esquecido o ideário revolucionário.
Demonstrar a violência simbólica das manifestações contra o governo,
desmascarar seu envolvimento com setores de extrema direita é uma obrigação dos
intelectuais brasileiros. Nenhuma concessão aos que fazem apologia à ditadura
militar. O que se está tentando construir no Brasil é uma plataforma
conservadora aos moldes americanos e europeus. Contra isso devemos reagir com
toda a nossa miscigenação, nosso hibridismo e nosso multiculturalismo.
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