PSOL apresenta voto em separado na Comissão do impeachment
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Unknown
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19:10
O PSOL apresentou, nesta
sexta-feira (8/4), voto em separado, na Comissão Especial que analisa o pedido
de impeachment da presidente Dilma Roussef, destacando que há insuficiência
jurídica na denúncia.
No voto, o PSOL faz uma análise
da conjuntura política e dos elementos financeiro-orçamentários contidos na
denúncia por crime de responsabilidade – nº1/2015 – e no parecer do relator,
deputado Jovair Arantes.
Na avaliação do PSOL, a tentativa
de destituição de Dilma, liderada pelo bloco social e político – o PMDB – que até
há pouco a apoiava, constitui-se em mera disputa de poder, para controlar a
máquina do Estado sem fazer qualquer mudança estrutural. Para o PSOL, o intenso
debate sobre o impeachment, no qual a paixão tem superado a racionalidade, com
seguidas cenas de intolerância explícita, dentro e fora do Parlamento, não abre
espaço para a questão fundamental: um projeto de crescimento do Brasil.
Tanto os programas defendidos por
PT e PMDB se assemelham. No texto, a bancada do PSOL afirma que as políticas
econômicas dos dois partidos, antes aliados, rezam da mesma cartilha: redução
do gasto público, manutenção de altas taxas de juros (as maiores do mundo!),
inclusive para o consumidor (o que multiplica no crediário por 2,4 vezes o
preço à vista), redução de direitos trabalhistas, com prioridade do negociado
sobre o legislado, fim das vinculações constitucionais orçamentárias para
Educação e Saúde e privatização de tudo o ainda que for possível.
O PSOL destaca que a Operação
Lava Jato tem enorme mérito ao desvendar o grande esquema de corrupção
envolvendo empresas, partidos e políticos. Além disso, doações legais de
campanha eleitoral e ocultas para mais de 300 figuras políticas estão vindo à
tona somente com a lista de uma empreiteira, a Odebrecht. E nesta semana, a divulgação
do esquema de corrupção Panama Papers, investigação que tem nomes de
personalidades artísticas, esportivas e políticas, incluindo o deputado Eduardo
Cunha.
No voto, o PSOL também afirma que
o impeachment tem previsão constitucional e que, por ser o ato mais grave do
ordenamento político, deve ser utilizado com critério. E, na avaliação do PSOL,
a denúncia apresentada neste caso possui vários defeitos congênitos: foi
acatado por um presidente da Câmara ilegítimo, réu no Supremo por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro (por enquanto). Cunha deu continuidade ao pedido
de advogados ligados aos derrotados de 2014 por mero espírito de vingança, por
retaliação ao PT, que não o defendeu no Conselho de Ética da Casa, que analisa
representação do PSOL e da Rede contra ele. Também não há fato objetivo doloso
que incrimine a presidente, que, até aqui, sequer é investigada na Justiça por
qualquer acusação. Mesmo nesse canhestro pedido de impeachment não há menção a
corrupção, com a qual parte significativa do Congresso que a julgará tem
intimidade.
As fragilidades da denúncia
No voto em separado, o PSOL
avalia que não há, no conteúdo da denúncia, características para destituir a
presidente Dilma Roussef. As pedaladas fiscais e os decretos de suplementação
orçamentária não constituem crime de responsabilidade. Há, portanto,
insuficiência jurídica.
Na denúncia, os advogados alegam
que houve atraso de repasses da União a bancos públicos, o que violaria a
chamada “Lei de Responsabilidade Fiscal”. O relator considerou este argumento.
O PSOL destaca que esses atrasos
ocorreram em governos anteriores, de outros partidos, inclusive, e nunca foram
questionados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na avaliação do partido, a
tentativa de incriminar é um jogo estritamente político, onde as teses
jurídicas são construídas de acordo com a conveniência. A disputa entre o PT e
o PSDB/DEM, como sempre, deixa de lado a principal ilegalidade das contas de
todos os governos, que é o pagamento de uma dívida pública repleta de indícios
de irregularidades, que consome mais de 40% do orçamento público, e jamais foi
auditada, em clara violação ao art. 26 das Disposições Transitórias da Constituição
Federal de 1988.
Os denunciantes também alegam que
a presidente da República editou decretos permitindo a abertura de créditos
suplementares, incompatíveis com a meta de superávit primário definido no
início do ano, violando-se o art. 4º da Lei Orçamentária.
Para o PSOL, os argumentos do
relator para concordar com a denúncia são subjetivos, pois, se a meta fiscal
foi alterada pelo Congresso Nacional, a edição de tais decretos foi plenamente
compatível com a meta definida pelo próprio Legislativo. O PLN 5/2015, aprovado
ao final de 2015, adequou a meta, e, portanto, legalizou tais decretos, que
eram necessários para que o governo executasse seus gastos sociais.
A saída é pela esquerda
Na avaliação do Partido
Socialismo e Liberdade, derrubar a presidente da República através de um
Congresso tão questionado em relação à ética para que seu vice assuma não
significará nenhuma alteração substantiva. Em alguns aspectos, aliás,
representará retrocesso. Além disso, não se pode desconsiderar que a Câmara dos
Deputados é presidida por deputado réu, sem legitimidade e credibilidade.
O PSOL destaca que é necessário
mudar a política econômica do país e que a saída não consiste em ajuste fiscal,
com retirada de direitos dos trabalhadores e penalização da sociedade brasileira.
A população, com compreensível indignação, que clama contra a corrupção, não
pode ser enganada mais uma vez.
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