Ao nomear suspeitos, Temer jogou óleo na pista
Postado por
Unknown
às
18:48
Desde que Michel Temer assumiu o
volante, não há semana em que não seja obrigado a parar no acostamento. Já
desembarcaram dois ministros: Romero Jucá (Planejamento) e Fabiano Silveira
(Transparência). Nesta segunda-feira, achega-se à porta o terceiro: Henrique
Eduardo Alves (Turismo) apalpou verbas sujas oriundas da Petrobras, informou ao
STF o procurador-geral Rodrigo Janot.
Ao cercar-se de suspeitos e de
seus prepostos, Temer jogou óleo na própria pista. Agora, derrapa
constantemente num instante em que se esperava que exibisse um itinerário
confiável. Em entrevista, o ministro Eliseu Padilha declarou: “Na Lava Jato, se
aparecer alguém do governo, já se sabe qual a posição do presidente: é que a
pessoa deixe a equipe.”
Desse modo, acredita Padilha, o
governo “não será atingido diretamente de nenhuma forma, fica preservado.” O
raciocínio de Padilha é manco e ilusório. É manco porque nos dois primeiros
desembarques ficou evidente o desejo de Temer de proteger os auxiliares
enrolados. É ilusório porque o governo já foi atingido. Ninguém nomeia tantos
suspeitos impunemente.
Perguntou-se a Padilha: Qual será
o legado do governo Temer?
E
o ministro: “…Sair do desajuste fiscal em que
nos encontramos e contribuir para que a corrupção
seja erradicada do serviço público.”
De duas, uma: ou Temer guarda na
gaveta uma agenda secreta que inclui o extermínio do seu PMDB ou a ideia de
erradicar a roubalheira é apenas uma evidência do insuspeitado talento de
Eliseu Padilha para a comédia. Agora mesmo, o governo articula a entrega do
comando da Eletrobras a um apadrinhado de Renan Calheiros.
