Frei Betto: “Assistimos ao começo do fim. PT tende a virar arremedo do PMDB”
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23:57
NOTÍCIA – Congresso em Foco
Referência histórica do PT, amigo
pessoal do ex-presidente Lula há três décadas e ex-vizinho da presidenta Dilma
em Belo Horizonte, Frei Betto divulgou um manifesto, durante a campanha
eleitoral, com 13 motivos para votar na reeleição da petista. Três meses após a
posse da presidenta reeleita, o religioso demonstra decepção com Dilma e o PT e
diz que as 13 razões não foram abraçadas pela presidenta, a quem acusa de ter
montado um “ministério esdrúxulo”.
Para ele, o país assiste ao
começo do fim do Partido dos Trabalhadores, que tende a virar um “arremedo” do
PMDB. Em entrevista à coluna de Sônia Racy, no jornal O Estado de S. Paulo,
Frei Betto diz que o PT só tem uma saída: ser fiel às suas origens e buscar a
governabilidade pelo estreitamento de seus vínculos com os movimentos sociais.
“Fora disso, tenho a impressão de que estamos começando a assistir ao começo do
fim. Pode até perdurar, mas o PT tende a virar um arremedo do PMDB”, criticou.
Ex-coordenador do Fome Zero no
início do primeiro governo Lula, o religioso diz que, em 12 anos de governo, o
PT não conseguiu tirar do papel nenhuma reforma de estrutura prometida em seus
documentos originais, trocou um “projeto de Brasil” por um “projeto de poder”, jogou
os movimentos sociais para escanteio e ficou refém e dependente de “alianças
espúrias” com o Congresso.
Na avaliação dele, o atual
governo subverte a história do PT e se aproxima do receituário tucano: “Quem
assistiu ao filme Adeus, Lenin! pode fazer o seguinte paralelo: se um cidadão
brasileiro, disposto a votar na reeleição da Dilma, tivesse entrado em agonia
no início de agosto de 2014 e despertasse agora, neste mês de março, no
hospital e visse o noticiário, certamente estaria convencido de que o Aécio
havia vencido a eleição”.
Para Frei Betto, o atual governo
opera em função de um “detalhe”, o ajuste fiscal, e não de um “projeto
histórico”. O religioso diz que, “apesar de todos os pesares – põe pesares
nisso”, o Brasil viveu nos 12 anos de governo do PT os melhores anos de sua
história republicana na área social, com a retirada da miséria de 36 milhões de
pessoas. O problema, afirma, é que a população, mesmo tendo hoje maior acesso
aos bens de consumo, continua sem ter acesso aos serviços básicos. “Essa
família continua no barraco, sem saneamento, em um emprego precário, sem acesso
a saúde, educação, transporte público e segurança de qualidade. O governo
facilitou o acesso dos brasileiros aos bens pessoais, mas não aos bens
sociais”, declarou.
Ainda na entrevista, o religioso
questiona onde estão os líderes do PT que visitavam as favelas e periferias,
que participavam de assembleia de sem-teto e se reuniam com lideranças
indígenas e quilombolas. Frei Betto dá como certo que Lula será o candidato do
PT à Presidência em 2018, mas diz que nem mesmo a volta do ex-presidente é
capaz de mudar o cenário. “O problema é o rumo que o partido tomou e imprimiu
ao governo do Brasil.”
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