Renan quer Esplanada menor só para os outros
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21:53
Josias de Souza – Folha S. Paulo
Renan Calheiros tornou-se um
personagem paradoxal. Sob refletores, o presidente do Senado defende
obstinadamente o enxugamento da Esplanada. Longe dos holofotes, guerreia
vigorosamente para manter sob seus domínios o Ministério do Turismo, impedindo
que o correligionário Henrique Eduardo Alves seja acomodado na pasta. E o que
parecia solução virou mais um problema para Dilma Rousseff nas suas já
conturbadas relações com o PMDB.
Renan entusiasmou uma plateia de
empresários ao discursar na CNI, a Confederação Nacional da Indústria: “Se
aplaudimos recentemente o Mais Médicos, está na hora do programa 'Menos
Ministérios', 20 no máximo.” Três dias depois desse discurso, o Planalto
informou que Dilma decidira nomear Henrique Alves para o Turismo, desalojando o
atual titular da pasta, Vinicius Lage, um afilhado político de Renan.
A troca já estava combinada com a
caciquia do PMDB desde o início do ano. Mas Renan levou o pé à porta. A novela
arrasta-se por oito dias. Dilma gostaria de ter formalizado a escolha de Henrique
Alves junto com as indicações do petista Edinho Silva (Comunicação Social da
Presidência) e do acadêmico Renato Janine Ribeiro (Eduacação). Enfraquecida,
avaliou que uma briga com Renan não convém ao governo. Achou melhor tomar
distância.
Dilma delegou a resolução da
encrenca interna do PMDB ao vice-presidente Michel Temer, que ainda não
conseguiu dissolver o impasse. No início do ano, ao partilhar os ministérios
entre seus aliados, Dilma combinara que o PMDB teria seis pastas —três para a
bancada do Senado e três para a da Câmara.
Na cota dos senadores, entraram
Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Helder Barbalho
(Pesca), filho de Jader Barbalho. Na cota da Câmara, subiram Edinho Araújo
(Portos) e Eliseu Padilha (Aviação Civil). Combinara-se que Henrique Alves iria
ao Turismo tão logo seu nome fosse excluído pela Procuradoria da República do
rol de investigados da Operação Lava Jato.
Nesse arranjo, o afilhado de
Renan permaneceria no Turismo apenas até que Henrique Alves tivesse condições
de assumir. A meia-volta deixa desbalanceada a distribuição de poltronas.
Mantida a composição atual, o PMDB de Renan tem quatro pastas. E o de Eduardo
Cunha, presidente da Câmara, tem apenas duas. Significa dizer que, para fugir
de um confronto com Renan, Dilma se arrisca a desagradar o pedaço da bancada de
deputados que ainda valoriza a ocupação de ministérios.
No discurso da CNI, feito há 12
dias, Renan dissera que, além de enxugar a Esplanada, o governo deveria
funcionar com “menos cargos comissionados, menos desperdício e menos
aparelhamento.” Hoje, ele diz, em privado, que trocaria o Turismo pelo
ministério da Integração Nacional, ocupado pelo PP. Fica entendido que, para
Renan, o desaparelhamento no fisiologismo dos outros é refresco.
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