Um chamado à CUT e ao MST: rompam com o governo
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21:51
Editorial do Opinião Socialista -
PSTU
O governo Dilma Rousseff (PT)
está fazendo um ajuste fiscal duríssimo contra a classe trabalhadora e os
setores populares. Uma política inteiramente de direita em favor dos
banqueiros, do agronegócio e das multinacionais. Sobre os ombros da classe
trabalhadora e dos setores mais pobres da população, está recaindo todo o peso
da crise.
A insatisfação contra o governo
Dilma e suas medidas é geral. Apenas 13% da população aprova o governo.
A direção da CUT e também a do
MST dizem ser contra as medidas do ajuste fiscal, mas, ao mesmo tempo, propõem
realizar manifestações essencialmente em defesa do governo ou de apoio crítico
ao mesmo, como a do dia 13 de março. O argumento utilizado é que estaria em
curso um golpe da direita, como em 1964, ou ao menos um golpe branco, uma
tentativa de impeachment sem bases jurídicas. Nem uma coisa nem outra é
verdadeira.
Porém o dirigente do MST, João
Pedro Stédile, chegou a dizer, em evento com a presença da presidente, em
Eldorado do Sul (RS), que “Dilma é quase Santa”, que o protesto do dia 15 foi
uma manifestação de fascistas que querem dar um golpe “contra políticas
públicas do Estado para os pobres”, que se escondem atrás de cartazes de “Fora
Dilma”. Ele chamou a presidente a ir para as ruas para “derrotar a direita”.
Dilma, no entanto, governa com e
para a direita. Fez menos assentamentos de reforma agrária do que o governo FHC
(PSDB). No primeiro mandato de Lula, foram assentadas em torno de 220 mil
famílias apenas. No segundo mandato de Lula, sequer foi elaborado o terceiro
Plano Nacional de Reforma Agrária e, ainda, foram editadas duas Medidas
Provisórias que entregaram mais de 67 milhões de hectares de terras públicas da
Amazônia para grileiros.
Sob o governo Dilma, o
agronegócio está invadindo as reservas indígenas. Sua ministra da Agricultura,
Kátia Abreu, é uma liderança do agronegócio. O ajuste fiscal foi proposto por
Dilma, que escolheu o ministro Joaquim Levy, um banqueiro, para ministro da Fazenda.
O ajuste fiscal que revoltou os trabalhadores é uma política completamente de
direita, e o atual governo está empenhado em aprová-lo. Aliás, com o apoio do
PSDB, da Globo e do PMDB.
A classe trabalhadora tem
obrigação de ficar contra esse governo. Apoiar o governo Dilma é fazer o jogo
da direita. Apoiando o governo não se luta de maneira coerente contra o ajuste
fiscal. Por isso, fazemos um chamado à CUT e ao MST: rompam com o governo!
A classe trabalhadora pode
colocar abaixo as medidas desse ajuste fiscal da Dilma, do PSDB, do Congresso e
da Globo. Ao invés de chamar manifestação a favor do governo, vamos juntos
construir uma Greve Geral que coloque abaixo as medidas de ataques aos
trabalhadores.
Uma Greve Geral jamais
fortalecerá a direita. O que fortalece a direita é não enfrentar o governo e
sua política contra a classe trabalhadora e os setores populares e, também,
contra a classe média que não é, em sua totalidade, reacionária.
Ainda que os companheiros não
concordem conosco sobre o governo, se de verdade querem derrotar o ajuste,
reiteramos o chamado: independentemente das diferenças políticas, vamos
construir uma Greve Geral contra a retirada dos nossos direitos.
GOLPE DA DIREITA CONTRA DILMA?
Após o protesto do dia 15,
militantes do PT e do PCdoB dizem que o governo Dilma enfrenta uma tentativa de
golpe da direita. Mas isso não é verdade. Hoje, nem o PSDB, nem a Globo, nem os
grandes empresários e banqueiros do país, que apoiaram o dia 15, defendem
golpe. Sequer defendem o impeachment.
Não querem dar um golpe porque
estão empenhados, ao lado de Dilma, na aprovação do ajuste fiscal. Apoiam as
Medidas Provisórias que retiram o seguro desemprego e dificultam o acesso ao
PIS. Também defendem o corte de gastos em saúde, educação e moradia feito por
Dilma.
O imperialismo norte-americano
também não quer derrubar o governo. Longe disso, o presidente dos EUA, Barack
Obama, inclusive adiantou a agenda para se encontrar com Dilma em abril. O
vice-presidente daquele país ligou renovando o apoio do governo dos EUA a
Dilma.
A elite ganhou muito dinheiro com
os governos do PT, muito mais do que os trabalhadores e o povo pobre. Agora,
querem que os trabalhadores paguem pela crise. Eles não preparam nenhum golpe
contra Dilma. O máximo que o PT pode dizer a eles é que são muito mal
agradecidos.
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