O Rio Doce está completamente morto
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Unknown
às
10:23
O rompimento das barragens em
Mariana-MG é um desastre social – nove mortos e 18 desaparecidos já foram contabilizados
até o momento. Aos poucos, porém, uma outra face da tragédia vem se revelando:
o desastre ambiental provocado pelo rompimento. Por enquanto o Rio Doce – o
mais importante de Minas Gerais – é a principal vítima. Especialistas já
declaram que ele está oficialmente morto.
Uma análise laboratorial
encomendada após o desastre encontrou na água do rio partículas de metais
pesados como chumbo, alumínio, ferro, bário, cobre, boro e mercúrio. Segundo
Luciano Magalhães, diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Baixo
Guando, órgão responsável pela análise, “parece que jogaram a tabela periódica
inteira” dentro do rio. Segundo ele, a água não tem mais utilidade nenhuma,
sendo imprópria para irrigação e consumo animal e humano.
Além desses metais pesados, a
própria força da lama prejudicou a biodiversidade do rio para sempre –
ambientalistas não descartam a possibilidade de que espécies endêmicas inteiras
tenham sido soterradas pela lama. A quantidade de lama é tamanha (cerca de 20
mil piscinas olímpicas) que o rio teve o seu curso natural bloqueado, fazendo
com que perdesse força e formasse lagoas que também não devem ter vida longa,
já que, além dos minérios de ferro, esgoto, pesticidas e agrotóxicos também
estão sendo carregados pelas águas.
Pescadores da região criaram uma
força-tarefa para combater o problema. A Operação Arca de Noé quer atuar em
regiões da bacia hidrográfica do Rio Doce que ainda não foram atingidos pela
enxurrada, transferindo os peixes para lagoas de água limpa utilizando caixas,
caçambas e lonas plásticas.
Ao visitar os locais atingidos
pelo rompimento, a presidente Dilma Roussef declarou que a multa preliminar que
a Samarco (mineradora responsável pela barragem) deverá pagar por causa dos
danos ambientais gira em torno de R$ 250 milhões.
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