Raul Cutait é rejeitado para o Ministério da Saúde por não aceitar indicação de deputados
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12:15
O cirurgião Raul Cutait é um dos
médicos mais respeitados do país. Sondado para chefiar o Ministério da Saúde,
hesitou. A família não recebeu bem a ideia. Após muita reflexão, topou o
desafio. A notícia foi recebida com euforia no Jaburu, trincheira de Michel
Temer. Enfim, um ministro notável. Mas durou pouco o entusiasmo. Logo se
descobriu que Cutait não serve para o cargo.
O doutor cometeu vários crimes. O
primeiro foi o de reivindicar que todas as nomeações para os cargos relevantes
da pasta passassem por sua mesa. Se ficasse por aí, esse até poderia ser
classificado como um crime menor, quase uma contravenção. Mas a coisa tornou-se
grave quando, não satisfeito em querer cumprir o dever de avalizar os nomes daqueles
que seriam seus auxiliares, Cutait exigiu que o critério de escolha fosse
técnico, não político.
A pasta da Saúde é um dos pedaços
do Estado que Temer prometeu ao PP, Partido Progressista, campeão no ranking de
encrencados da Lava Jato. Informado pela assessoria de Temer de que um nome
notável seria bem-vindo, o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente da
legenda, teve a grata ideia de sondar Cutait. Não imaginou que o cirurgião
fosse vetar as nomeações partidárias, num claro desafio à ordem estabelecida.
A bancada federal do PP ameaçou
pegar em armas se Cutait virasse ministro da Saúde. Onde já se viu privar os
deputados de plantar apaniguados na vizinhança dos cofres públicos? Agora, em
vez do médico acima de qualquer suspeita, o PP quer ver sentado na cadeira de
ministro da Saúde um engenheiro civil, o deputado paranaense Ricardo Barros.
Ciro Nogueira já informou a Raul
Cutait que ele não será mais ministro. Cometeu o crime hediondo do excesso de
qualificação. Agarrou-se perigosamente ao pé da letra no instante em que
pretendeu colocar em prática as melhorias teorias sobre gestão de saúde. Quis
introduzir na administração pública uma noção qualquer de eficiência —o que é
antinatural.
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