Temer corre para lotear o governo golpista e garantir base
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Unknown
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14:25
Em diversos artigos desenvolvemos
a ideia de que o PT foi o responsável por abrir espaço e solidificar os nomes e
partidos que articularam o golpe institucional que agora está tirando de cena o
projeto de conciliação de classes petista. O projeto de uma “governabilidade”
baseada em alianças com os setores mais reacionários da política brasileira,
como Maluf, Collor, Sarney, a bancada evangélica, os ruralistas, a burguesia
industrial, cobraram o seu preço de Dilma, que assistiu sem sequer tentar
protagonizar uma luta séria contra o golpe, um a um esses partidos de direita
saírem de sua suposta “base aliada” para debandar para o lado dos golpistas.
Agora, o sujo toma-lá-dá-cá da
política burguesa vem puxar o pé de Temer às vésperas da consolidação do golpe
no Senado, quando o vice-presidente golpista precisa conseguir compor a sua
própria governabilidade para poder provar, nos 180 dias de afastamento de
Dilma, que é uma figura capaz de unificar em torno de si os diversos setores da
política burguesa para levar adiante a agenda de ataques profundos aos
trabalhadores e setores oprimidos, tentando salvar os lucros e interesses
imperialistas em meio à crise econômica no país.
Primeiro passo: limpar a sujeira para dar uma “cara ética” ao golpe
Foi com alívio que Temer e seus
aliados próximos receberam a interferência do STF no parlamento para efetuar a
cassação que Eduardo Cunha conseguiu impedir por meses a fio com suas manobras
no Conselho de Ética da Câmara.
Cunha, com sua impopularidade
recorde e as escandalosas acusações de corrupção que o levaram à condição de
réu, evidenciava ainda mais a podridão reacionária do golpe, e desmascarava por
demais o seu discurso hipócrita e moralista de que o impeachment seria “contra
a corrupção” e “para limpar a política brasileira”. O “Fora Cunha” já era tão
popular que até setores pró-golpe aderiam a essa palavra de ordem. A sua
cassação pelo STF foi um alívio para Temer, que pôde assim se livrar de um
aliado inconveniente com o qual teria que negociar. Um problema a menos para
tentar se legitimar diante de sua “não-eleição” (e que nunca ocorreria, já que
as pesquisas lhe davam 1% de intenção de votos se as eleições presidenciais
fossem hoje) e diante do fato de que irá inevitavelmente compor a base de seu
governo, tal como fizeram Dilma e Lula, com o que há de mais podre, reacionário
e corrupto na política brasileira. Para o STF foi também muito bom, pois
reforçam seu papel de árbitro diante dos impasses políticos da crise.
Triste papel cumpre, mais uma
vez, um setor da esquerda, dessa vez com destaque para o Juntos, juventude
ligada ao MES, corrente interna do PSOL à qual pertence Luciana Genro. Em um
cartaz que divulgaram no Facebook diziam que foi “pelas mãos da juventude” que
caiu Cunha. Reforçam assim, mais uma vez, a ilusão em instituições reacionárias
como o STF e em suas manobras, e continuam fazendo o papel de “esquerda
lava-jato”, com a linha política de exigir que sejam esses privilegiados os que
se responsabilizem por punir seus próprios crimes e acabar com seus próprios
privilégios. E dizem que suas manobras são “vitórias da juventude” ou dos
trabalhadores…
A dificuldade em lotear o executivo
Temer já enfrente dificuldades
com o PSD, partido de Kassab, que ocupava o Ministério das Cidades no governo
Dilma e, no último minuto, aderiu publicamente ao lado dos golpistas orientando
sua bancada a votar do lado vencedor. Um deputado próximo a Kassab afirmou:
“Todos os partidos que orientaram a bancada a votar pelo impeachment aumentarão
a participação na Esplanada. Menos o PSD”. Esse, aliás, está fora do páreo para
garantir sua boquinha no Ministério das Cidades, um dos mais cobiçados por seu
alto orçamento e por permitir uma grande visibilidade política, já que está a
frente de medidas de grande popularidade, como o “Minha Casa, Minha Vida”. O
ministério já tem destino quase certo: O PSDB, por meio de Bruno Araújo. Para o
PSD foi oferecido o Ministério das Comunicações, o que não agradou o apetite de
poder e verbas para poder saquear.
Com a bancada na Câmara do PMDB,
partido do próprio Temer, partido que por si só é um dos maiores rejunte de
fisiologistas de carreira nesse país, as coisas também não vão bem. Com Dilma,
o partido ocupava o Ministério da Saúde com Marcelo Castro; agora, estão sendo
oferecidas três pastas menores: Esportes, Desenvolvimento Social e Secretaria
de Portos. A expressão usada por um deputado do partido, golpista de primeira
hora, é bastante emblemática dos princípios nobres que orientam os
parlamentares na “limpeza moral” da política brasileira: disse que os três
cargos são a “xepa” do feirão ministerial.
Outra exigência dos que estão
adquirindo os lotes do executivo de Temer em troca de seu apoio à
governabilidade é que os ministérios sejam entregues de “porteira fechada”, no
seu jargão de mercenários engravatados. Isso significa que os partidos que
tomarem o feudo ministerial tem controle completo, podendo indicar os cargos de
segundo e terceiro escalão na pasta, garantindo um rol muito maior de
apadrinhamentos, nepotismos, tráfico de influência, corrupção e possibilidades
de desvios de verba. Essa exigência é parte das demandas do PSD, PP, PMDB, PR,
PSB e PTB.
Para além do loteamento dos
cargos para conseguir compor a sua base aliada, há ainda uma fração minoritária
do PSDB que, mesmo após o disciplinamento da maioria a aderir à posição de
Serra e FHC de assumir cargos no governo, ainda considera que o partido deve
ficar de fora.
De toda forma, em que pesem as
dificuldades de Temer em domar a corja de parasitas e oportunistas que habitam
o congresso e da qual ele próprio é um grande exemplar, não há dúvida que nas
questões centrais para eles, ou seja, naquelas de atacar os direitos dos
trabalhadores e fazer com que os mais pobres paguem pela crise dos patrões, sem
dúvida ele terá pouca dificuldade em disciplinar os parlamentares.
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